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Brasília

Vítimas com antecedentes

Arquivo Geral

19/02/2013 7h10

Isa Stacciarini

isacoelho@jornaldebrasilia.com.br

 

 

A onda de homicídios verificada nos últimos dias no Distrito Federal tem provocado uma sensação de insegurança na população. Em apenas três dias durante o final de semana foram registrados dez homicídios. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, na maioria desses assassinatos, em 66% deles, as vítimas têm antecedentes criminais e perdem a vida devido ao envolvimento com drogas e com o tráfico das substâncias ilegais.  

 

Nos 48 primeiros dias do ano, o DF acumulou 97 homicídios, quase duas mortes por dia. Faltando apenas dez dias para o fim de fevereiro, o índice, segundo a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) já representa 98,9% dos 98 assassinatos ocorridos nos dois primeiros meses de 2012. 

 

Enquanto isso, em janeiro deste ano, 47 casos de assassinatos foram contabilizados. No mesmo período do ano passado, o índice foi de 48 homicídios. A SSP destaca que esse foi o menor índice para o mês nos últimos sete anos (veja tabela).

 

Práticas criminosas

Em todo mês de fevereiro do ano passado, 61 pessoas foram vítimas de homicídio. Nos primeiros 17 dias deste mês, já são 50 casos. De acordo com o levantamento do órgão, para provar a premeditação, 67% das vítimas foram executadas em até 500 metros da porta da residência, e 29% no interior ou mesmo em frente à própria casa. As vítimas levam até sete minutos e meio para serem mortas.

 

Segundo a SSP, uma das dificuldades encontradas na prevenção desse tipo de crime é o fato de a maior parte dos assassinatos estarem interligados com outras práticas criminosas. Para os representantes da pasta, uma das características dos marcados para morrer é a evidência dos tiros na têmpora. No perfil traçado pela SSP, as vítimas receberam três ou mais tiros.

 

Acerto de contas é fato mais comum

Um assassinato na QR 303 de Samambaia Sul seguiu o mesmo perfil traçado pela SSP, de crime por encomenda. Um homem de cerca de 30 anos foi executado com seis disparos. A vítima tinha saído da prisão há cerca de dez dias.

 

O secretário adjunto da SSP/DF, coronel Jooziel Freire, explicou que a segunda maior causa dos homicídios está ligada ao acerto de contas. Segundo ele, a eficácia no enfrentamento da criminalidade começa como com a exclusão das oportunidades dos meliantes em comercializar drogas e realizar roubos.

 

“Quando as vítimas perdem as opções de outros crimes e não conseguem pagar as dívidas assumidas com os traficantes e criminosos, esses credores partem para o assassinato”, explicou. Segundo ele, nem a ação ostensiva do policiamento conseguiria evitar esse tipo de enfrentamento.

 

Rigor

O sociólogo e especialista em Segurança Pública da Universidade de Brasília (UnB), Antônio Testa, revelou que a prática de assassinato tende a aumentar a partir de um rigor no policiamento. “Com o fechamento das bocas de fumo, começa a briga de espaço e o acerto de contas fica mais ascendente”, afirmou.

 

Um representante comercial, morador da QNL 13, em Taguatinga Norte, que preferiu não ser identificado, disse ter medo da violência. “Minhas filhas já foram assaltadas.  O consumo de droga na região é intenso em razão da proximidade de uma casa noturna. A opção é viver atrás das grades da nossa própria casa. A droga é a porta de entrada para outros crimes mais graves”, disse.

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