Pouco mais de um mês depois do sequestro, o trauma continua a tirar o sono de José Ailton de Souza, 49 anos. Desde aquela segunda-feira, no dia 29 de setembro, ele não dorme direito. “Acordo assustado e não durmo mais após relembrar daquelas cenas”, descreve o mensageiro do hotel Saint Peter, no Setor Hoteleiro Sul.
As imagens as quais ele se refere são as de um hóspede que fingiu estar armado e o obrigou a entrar em um dos quartos, a vestir um colete com supostos explosivos e a se algemar. O drama durou quase um dia inteiro. Só foi terminar com a rendição de Jac Souza Santos, de 30 anos, o sequestrador.
Mesmo depois de saber que tanto o artefato quanto o revólver usados pelo sequestrador eram falsos, o funcionário não esquece do fatídico dia, que afirmou ter sido o mais difícil de sua vida. “Quando penso que estou esquecendo, chega algum hóspede e pergunta como foi, o que aconteceu e como estou”, lamenta.
Palácio do buriti
Na última terça-feira, José Ailton se reconheceu no drama vivido pela servidora pública Jurema da Silva Assunção, 28, no momento em que ela estava em poder de Robson Martins da Silva, que ameaçava matá-la com uma faca encostada no pescoço.
O mensageiro relata que estava trabalhando enquanto Jurema vivia os momentos de tensão. Desta vez, acompanhou tudo pela televisão. “Na mesma hora em que vi o drama dela lembrei de tudo o que aconteceu comigo”, afirma. “Só quem passa por isso sabe”, emenda.
Ao ser perguntado qual orientação ele passaria para a servidora superar as sequelas provocadas pelo sequestro – ou aprender a conviver com elas -, ele afirmou, categórico: “Ela precisa da ajuda de um psicólogo”, recomenda.