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Brasília

Vítima de sequestro em hotel tenta recomeço

Arquivo Geral

06/11/2014 7h20

Pouco mais de um mês depois do sequestro, o trauma continua a tirar o sono de José Ailton de Souza, 49 anos. Desde aquela segunda-feira, no dia 29 de setembro, ele não dorme direito. “Acordo assustado  e não durmo mais após relembrar daquelas cenas”, descreve o mensageiro do  hotel Saint Peter, no Setor Hoteleiro Sul. 

As imagens  as quais ele se refere são as de um hóspede que fingiu estar  armado  e o obrigou a entrar em um dos quartos, a vestir um colete com supostos explosivos e a se algemar. O drama durou quase um dia inteiro. Só foi terminar com a rendição de Jac Souza Santos, de 30 anos, o sequestrador. 

Mesmo depois de saber que tanto o artefato quanto o revólver usados pelo sequestrador eram falsos, o funcionário não esquece do fatídico dia, que afirmou ter sido o mais difícil de sua vida. “Quando penso que estou esquecendo, chega algum hóspede e pergunta como foi, o que aconteceu e como estou”, lamenta. 

Palácio do buriti

Na última terça-feira, José Ailton se reconheceu no drama vivido pela servidora pública Jurema da Silva Assunção, 28, no momento em que ela estava em poder de Robson Martins da Silva, que ameaçava matá-la com uma faca encostada no pescoço. 

O mensageiro relata que estava trabalhando enquanto Jurema vivia os momentos de tensão. Desta vez, acompanhou tudo pela televisão. “Na mesma hora em que vi o drama dela lembrei de tudo o que aconteceu comigo”, afirma. “Só quem passa por isso sabe”, emenda.

Ao ser perguntado qual orientação ele passaria para a servidora superar  as sequelas provocadas pelo sequestro –   ou aprender a conviver com elas -, ele afirmou, categórico: “Ela precisa da ajuda  de um psicólogo”, recomenda. 

Depois da tensão, veio a fama
 
No dia seguinte ao sequestro no Saint Peter, José Ailton também teve seu momento de fama. Foram várias entrevistas, uma seguida da outra. Por determinação dos patrões, o mensageiro passou oito dias de folga. Segundo ele, este tempo serviu para se aproximar mais ainda da família e descansar na uma fazenda de um amigo. 
 
Durante o breve descanso, afirma ter pensado na vida. “Passei a dar mais valor”, ressalta. A mulher, Iris Maria de Azevedo, 49, logo o corrige: “Precisa ter mais calma”. Essa, aliás, é uma das tarefas, afirma ele, mais difíceis: ser mais tolerante. José reconhece que tem se estressado no dia a dia, principalmente  no trânsito. “Ser mais calmo é difícil”, afirma.
 
Outra tarefa que pretende desempenhar como retribuição à chance de “renascer” é aguçar seu lado solidário. “Pretendo ajudar mais as pessoas daqui para frente”.
 
Mudanças
 
A rotina profissional também foi alterada  em virtude do sequestro. José Ailton revela que tem redobrado a atenção no trabalho. “Acho que esse trauma atinge não somente a mim como todos os funcionários do hotel Saint Peter e de outras redes. Porque nunca havia ocorrido aquilo em Brasília”, explica. 
 
Memória
 
Passava das 7h  quando José Aílton foi rendido por um dos hóspedes do 13º andar do hotel  Saint Peter.  Jac Souza Santos ordenou que a vítima vestisse um colete com explosivos e colocasse algemas. Mais tarde descobriu-se que o armamento era falso. Ele pediu a presença da imprensa. 
 
Depois de nove horas, sequestrador se entregou e foi levado para a 5º DP (Área Centra). Hoje, está preso  na Papuda.

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