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Brasília

Vítima de bullyng pode até recorrer ao suicídio

Arquivo Geral

17/09/2012 7h15

Soraya Sobreira

 

O bullying tem deixado sequelas sérias, prova disto é que 17% dos brasileiros já idealizaram o suicídio por conta de condutas ofensivas na escola, no trabalho e até na internet. Esse é o resultado revelado pela pesquisa realizada entre novembro de 2011 e fevereiro deste ano pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).

 

No DF, o índice  preocupa. “O bullying é um fator de risco, há pessoas que não estão preparadas para passar por tantas humilhações, muitas delas já apresentam um quadro de queixas desde a infância e são vulneráveis a estas situações”, relata a coordenadora de Prevenção de Suicídio e psicóloga da Secretaria de Saúde, Beatriz Montenegro. 

 

De acordo com a Secretaria de Saúde, em 2006, a taxa de morte por suicídio no DF era de 4,5 por 100 mil habitantes. Enquanto, em 2010, aumentou para 5,8. “É uma tendência de aumento preocupante. Principalmente porque estas pessoas estão na faixa de 20 a 50 anos. Hoje, existem estudos que comprovam a relação direta do bullying e o suicídio, e não só nas escolas, mas no ambiente de trabalho também”, observa a psicóloga.

 

Intimidação

Os mesmos brasileiros que pensaram em suicídio por conta do constrangimento da prática do bullying t ambém relataram ter mudado de escola (28%). O que os levaram a essas atitudes foram os apelidos depreciativos que receberam (79%) e as mentiras espalhadas sobre eles (50%). Esses ataques ocorreram principalmente dentro da sala de aula, e também nos corredores.

 

O especialista em direito do consumidor na Proteste, David Passada destaca  um percentual alarmante na pesquisa. “Percebemos que ao mesmo tempo em que as pessoas relataram ter idealizado o suicídio por conta da repressão sofrida, elas também falaram que o processo era normal, e que todos passam por isto. Com isto, o resultado apontou que boa parte dos brasileiros (16%) ouvida na pesquisa, ainda acredita que ser vítima de bullying na escola não é nada demais. Observamos  falta de conhecimento e conscientização sobre o tema”, acredita.

 

Em resposta, a Associação encaminhou ao Ministério da Educação e ao Ministério do Trabalho e Emprego a solicitação de adoção de ações de promoção ao tema nas escolas e nos postos de emprego para informar as pessoas sobre os danos desta prática ofensiva. “Ainda não obtivemos nenhum retorno destes órgãos. Mas a ação é importante, principalmente se houver o treinamento de pessoal especifico para atuar na informação e prevenção”, conta Passada.

 

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