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Brasília

Vítima da gripe H1N1 ficou alojada com 160 estudantes em Brasília

Arquivo Geral

29/07/2009 0h00

O estudante paraibano Severino Galdino Pereira, click 31 anos, que morreu nesta terça-feira, 28 de julho, em consequência da gripe H1N1, passou quatro dias em Brasília, alojado com mais 160 jovens de diversos outros estados no Ginásio de Esportes do Núcleo Bandeirante. Eles participaram do 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 15 e 19 de julho. Grande parte das reuniões dos universitários ocorreu no Ginásio Nilson Nelson. Outras, na Universidade de Brasília. Leia aqui sobre as medidas preventivas adotadas pela UnB.


Jéssica Hevelin Costa Araújo, 20 anos, e Josué Barreto, 23 anos, integraram a delegação paraibana. Fizeram a viagem de ida e volta no mesmo ônibus em que estava Severino. Eles contam que os primeiros sintomas da gripe apareceram no companheiro durante a volta para casa.


A maioria das 47 pessoas que viajavam juntas no ônibus que seguia para a Paraíba manifestou algum mal-estar: tosse, espirros, febre ou dor no corpo. Por conta disso, eles decidiram não usar o ar condicionado. Deixaram as janelas abertas.


Viagem
Segundo Jéssica, Severino teve febre e sentiu dores no peito durante a viagem. Os colegas não sabiam dos problemas de saúde do estudante. Ele já possuía um histórico de internações por conta da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). “A gente ficou sabendo depois que ele já tinha ficado internado várias vezes por causa de gripe”, comenta Jéssica. “Quase todo mundo ficou doente no trajeto. Quando chegamos em casa, fomos todos ao hospital”, conta a estudante.


A situação de Severino, de acordo com depoimento dos estudantes, se agravou na terça-feira, quando estavam a 20km de Campina Grande. Eles pararam em frente a um posto da Polícia Rodoviária para pedir que os policiais o levassem mais rápido a um hospital. Os agentes levaram o estudante, que sentia falta de ar, à unidade Santa Clara, ainda em Campina Grande. “Severino recebeu alta e uma colega foi com ele até João Pessoa, de ônibus mesmo”, afirmou Josué.


De acordo com a Secretaria de Saúde da Paraíba, Severino foi internado no Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, no dia 22. O fato de ele ser portador de uma doença respiratória crônica, segundo a Secretaria, foi decisivo para a evolução da gripe H1N1. Severino teve uma parada cardiorrespiratória ontem, mas foi ressuscitado. Nesta terça-feira, sofreu outra parada e não resistiu. O corpo de Severino foi enterrado no Cemitério da Boa Sentença, em João Pessoa.


Contatos
Jéssica e Josué contam que, no alojamento em que ficaram hospedados, havia universitários de São Paulo, Minas Gerais, Rio de janeiro e Rio Grande do Sul. A divisão dos alojamentos não é feita por região, mas por tendências políticas. Severino e os colegas eram alinhados ao Partido Comunista Revolucionário, PCR, grupo com força política nas universidades nordestinas e que, no Congresso da UNE, assinou a tese “Rebele-se”. Nas plenárias da UNE, o PCR se aproximou ao PSOL.


Todos os estudantes paraibanos que chegaram com sintomas de gripe já estão procurando atendimento médico, inclusive os dois. “Está todo mundo assustado, porém mais ninguém teve nada grave. Acho que o fato de não estarmos acostumados ao frio e à baixa umidade de Brasília nos fez ficar resfriados”, avalia Josué.


Os integrantes paraibanos do grupo de Severino pertenciam a diferentes instituições de ensino, particulares e públicas. Jéssica é do curso de nutrição da Faculdade Maurício de Nassau. Josué, da Universidade Estadual da Paraíba. Severino estudava enfermagem na Faculdade Santa Emília, em João Pessoa. Outra estudante que participou do Congresso da UNE em Brasília encontra-se internada em observação, mas não há confirmação de que ela tenha o vírus da influenza A.


Para os colegas de movimento estudantil, Severino era expressão de força e luta. Admiravam a capacidade de superação de Severino, que além da doença respiratória crônica, tinha uma deficiência de formação no tórax. “Ele era muito alegre, brincava com todo mundo”, diz Jéssica. Josué conta que Severino era de família pobre e havia recebido bolsa de estudos para fazer a graduação. A família do rapaz é da cidade de Guarabira.

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