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Brasília

Vírus comum em bebês costuma ser confundido com um resfriado

Arquivo Geral

13/12/2014 8h20

Pesquisadores descobriram o vírus mais recorrente em bebês prematuros que nascem com problemas respiratórios no Brasil. O estudo Brevi (Brazilian Respiratory Virus Study) revela que 66,7% das crianças têm como causa o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A manifestação da infecção pode ser confundida com um simples resfriado, no início dos sintomas, ao apresentar febre, coriza e tosse.

Segundo o pneumologista pediátrico Marcus Jones, um dos autores da pesquisa, o vírus possui elevado índice e grandes chances de contágio. “Todo mundo já pegou o VSR, porque é o vírus da gripe. Ele é o principal perigo para   crianças prematuras, pois são muito vulneráveis”, explica.

A infecção pode evoluir para bronquiolites e pneumonias, sendo indispensável a internação. “A cada cem crianças, duas ou três são hospitalizadas com a infecção. O número, que representa em torno de 20% do total de bebês, é muito alto”, acrescenta. 

A pesquisa – apresentada  em Brasília  no congresso de Perinatologia (especialidade que trabalha com o período neonatal) – abrangeu o acompanhamento de 303 bebês brasileiros, nascidos com 35 semanas ou menos de gestação. Do total de crianças, observadas no período de um ano, 64 foram internadas com a presença de oito vírus. O mais frequente foi o VSR. 

UTI

Ansiosa para a chegada do primeiro filho, a engenheira civil Yara Geraldini  aguardava o nascimento de Marcos, previsto para novembro deste ano. “Fiquei desesperada, pois ele veio em outubro e apresentava dificuldade para respirar”, diz.

Foram  sete dias na UTI até que ela e o marido   retornaram à residência, quando tiveram certeza de que conseguiriam cuidar do bebê. “Todos os cuidados tiveram que ser mais rigorosos. Até hoje, ele toma banho de sol somente em casa e sem abrir a janela”, relata. 

A servidora pública Fernanda de Melo, 29, teve a surpresa do nascimento da filha com sete meses. Após 28 dias  internada na  UTI, Rafaela foi liberada para casa. “Eu e meu marido não saímos para nenhum lugar  durante três meses. Tínhamos que manter tudo limpo, para que ela não corresse risco”.

Mais leve em adultos

Crianças com mais de dois anos e adultos também podem ser afetados pelo vírus, mas nesses casos a doença se manifesta de modo leve, equivalente a uma gripe. “Já nos idosos, o perigo é semelhante ao dos recém-nascidos e a evolução da infecção exige muita cautela”, explica o pneumologista pediátrico Marcus Jones. Além deles, a população de risco engloba crianças com doenças pulmonares crônicas e portadoras de Síndrome de Down. 

De acordo com o especialista, a higiene é fundamental para evitar o contágio. “Os pais da criança devem evitar que as pessoas toquem e beijem o bebê prematuro. A limpeza constante das mãos, com água e sabão, além do álcool, é importantíssima na prevenção”, alerta. Todo cuidado é pouco até os dois anos de idade, pois a imunidade é extremamente fragilizada. 

Algumas dicas são imprescindíveis para evitar que o bebê seja afetado pelo  Vírus Sincicial Respiratório (VSR): evitar que ele tenha contato com pessoas que estejam doentes; cuidar da higienização, ao lavar as mãos constantemente e passar álcool; impedir que as pessoas toquem demasiadamente e beijem o bebê prematuro; evitar ambientes fechados com muitas pessoas; e ficar com o bebê em locais bem ventilados e arejados.

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