Isa Stacciarini
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Elas carregam marcas do sofrimento estampadas no corpo e no olhar, que transparece a tristeza. Nos dois primeiros meses do ano, as ocorrências de agressões contra a mulher apresentaram um salto de 45,33% em comparação ao mesmo período do ano passado. Conforme levantamento da Secretaria de Segurança Pública, domingo é o dia da semana em que mais ocorrem as agressões, possivelmente devido ao consumo de álcool pelo agressor.
Dia de descanso para muitos trabalhadores, foi em domingos que 477 mulheres se tornaram vítimas de agressões, entre janeiro e fevereiro. O período das 18h às 0h também propicia a violência. Essa combinação de fim de semana e horário noturno concentra 36% do total das ocorrências. A delegada-chefe da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Ana Cristina Melo, ressalta que devido à proximidade do casal no fim de semana, os conflitos acabam sendo mais latentes.
“Como o homem e a mulher estão em casa no domingo, as brigas se sucedem de forma mais aparente, e teoricamente a forma como o marido ou companheiro enxerga para resolver algum conflito é com a violência”, aponta.
Segundo a delegada, a ingestão de bebidas alcoólicas por parte do companheiro ou marido não é a causa da violência, mas as agressões podem aflorar após o consumo. No entanto, Ana Cristina destaca que a violência contra a mulher perpassa todas as classes sociais. “Uma vítima de classe baixa procura com mais frequência a polícia, por perceber ser uma porta aberta. Já as mulheres de classes mais altas tendem a procurar outros recursos, como um advogado ou apoio psicológico”, esclarece.
balanço
A estatística revela que o total de casos do período subiu de 1.984 para 2.405 – 421 a mais. Enquanto na comparação de janeiro o crescimento foi de 7,24%, em fevereiro o aumento foi de 37,79%. Ceilândia concentra o maior número de casos: 379, o que representa mais de seis vítimas por dia. Planaltina está em segundo lugar, seguida de Taguatinga e Gama.