Fábio Magalhães
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A violência contra as mulheres está presente no cotidiano de muitas famílias brasileiras. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contidos na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2012, revelam que 75 mil mulheres foram vítimas de violência somente no último ano, sendo que em 74,6% dos casos o agressor era o próprio companheiro. Em dois terços das ocorrências, os filhos presenciavam a violência. Em âmbito local, estimativas da Secretaria da Mulher calculam que são 31 casos todos os dias no Distrito Federal.
O cenário é alarmante e tem a sua situação agravada com a frequência com que a violência acontece: 58,6% das vítimas eram agredidas diariamente e, mesmo assim, 40,6% relacionavam-se com os agressores há dez anos ou mais. Em 38,9% dos casos, as agressões ocorriam desde o início da relação.
Gari, D.M.S., 36 anos, teve um relacionamento por cinco anos e meio. Em todo este período, a tortura foi sua principal companhia. Mãe de três filhos, ela relembra que o ex-esposo era agressivo. “Em um mês, posso dizer que tinha dois dias de paz, o resto, brigas e agressões. Ele já quebrou meu nariz, pulso, jogou um guarda-roupa em cima de mim, me fez entrar em um carro e bateu o veículo comigo dentro, fora os xingamentos e a violência psicológica”, recorda.
Separada há cinco anos, ela afirma que não tem vergonha de contar sua história e diz que após a separação aprendeu a ter independência. Durante muito tempo foi necessário esconder o que acontecia dentro de casa, porque a família não acreditava. “Cansei de ser maltratada. Tinha vezes que ele saia por vários dias e me deixava sozinha, sem comida”, conta.
Muitas das vezes, as agressões ocorreram na frente dos filhos. A vítima lembra que na última agressão o companheiro a espancou e a feriu no rosto, ao imprensá-la contra uma geladeira. Neste dia, ela registrou ocorrência na delegacia, mas reclama que nunca obteve a proteção. “Acho uma covardia incentivarem a denunciar, prestarmos depoimentos de mais de quatro horas e depois pegar um ônibus e voltar para casa sem saber o que o agressor pode fazer”, denuncia.
Falhas
Subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência, Valéria de Velasco reconhece que as medidas protetivas por muitas vezes são falhas, mas garante que é preciso continuar denunciando.
Para a secretária da Mulher, Olgamir Amancia Ferreira, a realidade do DF segue a preocupante tendência nacional. “Essa violência praticada na frente das crianças é um problema gravíssimo porque elas aprendem que o conflito têm que ser resolvido com subjugação do outro, e acaba replicando o modelo”, avalia.