Menu
Brasília

Vídeos. Estelionatários lucraram cerca de R$ 1 milhão lesando idosos

Arquivo Geral

08/04/2019 14h27

Foto: PCDF/ Divulgação

Tácio Lorran
redacao@grupojbr.com

A Polícia Civil do DF estima que a associação criminosa acusada de praticar crimes de estelionato contra idosos tenha movimentado cerca de R$ 1 milhão. Eles agiam no capital federal desde novembro de 2017, no interior de agências bancárias, principalmente as do Banco do Brasil.

Conforme o delegado responsável pela operação, Tiago Carvalho, o grupo criminoso conseguia desviar em torno de R$ 5 mil por pessoa. No domingo (7) em que os policiais realizaram os mandados de prisão e de busca e apreensão, o bando já tinha atuado em três agências bancárias no mesmo dia: em Taguatinga, na 516 Sul e no Lago Norte.

Com os suspeitos, foram apreendidas diversas máquinas de cartão de crédito, cartões bancários em nome de várias pessoas, dinheiro, adesivos falsos com a logomarca do Banco do Brasil e dispositivos utilizados para reter cartões de crédito, como dois chupa-cabras, pedaços de garrafa pet e fita isolante.

Delegado Tiago Carvalho. Foto: Tácio Lorran/Jornal de Brasília

Passo a passo

Como explica Tiago Carvalho, o grupo era bem estruturado e com as ações devidamente elaboradas. Primeiramente, parte dos integrantes – já no interior da agência bancária – aplicava dispositivos de retenção dos cartões de crédito, como o chupa-cabra. Também era utilizado pedaços de garrafa pet e fita isolante para prender os cartões.

Ao mesmo tempo, um outro integrante colava adesivos falsos no caixa eletrônico, como se fosse do próprio banco – inclusive desenhos e cores. Estes adesivos se diferenciavam do original pelo fato de conter números que iam direto para criminosos em São Paulo, já preparados para dar prosseguimento à ação. Confira o vídeo:

Assim que as vítimas chegavam, de preferência os idosos, os integrantes que estavam na agência se posicionavam como cidadãos comuns e se disponibilizavam para ajudar diante de possíveis problemas. Logo, a vítima, com o cartão retido no caixa eletrônico, recebia a recomendação de ligar para o número do adesivo falsificado.

Os criminosos que recebiam a ligação em São Paulo se passavam por atendentes do Banco do Brasil e solicitavam a senha e dados do cartão da vítima. Por fim, os cartões eram roubados sem que os idosos percebessem.

Com as informações e materiais necessários, o bando realizava compras, além de passar os cartões em maquininhas. Segundo a PCDF, o dinheiro foi gasto, em alguns casos, com suplementos, joias e roupas. Em outros casos, eles tentavam atrair a vítima com supostas necessidades de atualização cadastral. Veja os vídeos:

A organização

O grupo criminoso é original de São Paulo. Inclusive, um dos presos chegou a admitir, segundo o delegado, que não cometeram os crimes no estado da região sudeste, pois os paulistas não caem mais nesses tipos de crime. Pelo menos outras dez pessoas participam da organização. Elas estão sendo identificadas.

O delegado Tiago Carvalho explica como que a organização criminosa se diferenciava de uma quadrilha. “Isso não é uma quadrilha, mas sim uma organização criminosa”, diz. “Existe uma organização de tarefas, uma estrutura. Em síntese, eles são bem organizados: tem os setores das máquinas, dos motoboys, do chupa-cabra, da telefonia e das compras.”

A ação foi identificada pela PCDF há aproximadamente dois meses. Os investigadores levantaram informações relacionadas a ocorrências registradas de estelionato contra moradores do Lago Norte e identificaram a prática rotineira com o mesmo modus operandi na agência do Shopping Deck Norte.

Para não cair em golpes

Segundo o delegado, os criminosos optavam por idosos por serem alvos com mais chances de aplicarem o golpe com efetividade. Ele recomenda principalmente às pessoas que são consideradas mais vulneráveis, que estejam sempre acompanhadas por familiares ou pessoas de sua confiança.

“[Os idosos] que precisarem realizar algum deslocamento para instituição bancária, precisam estar acompanhados por pessoas de sua confiança, seja familiares ou não”, recomenda o delegado. De acordo com ele, os usuários do banco jamais devem fornecer suas senhas alfanuméricas, a não ser no próprio terminal bancário.

Até o fechamento desta reportagem, foram registradas 15 ocorrências. Os investigadores acreditam, no entanto, que mais vítimas devem aparecer após a divulgação do crime.

O que diz o Banco do Brasil

Procurado, o Banco do Brasil informou que orienta clientes a não aceitar auxílio de estranhos e diz que monitora o comportamento nas agências. “O BB faz monitoramento por imagens nas salas de autoatendimento de suas unidades para identificar ações suspeitas em andamento e promover o acionamento de órgãos competentes para coibir as ações criminosas”, diz em nota.  “Nesse caso, particularmente, o BB contribuiu para a desarticulação da quadrilha. Os clientes que identificarem qualquer atitude suspeita devem acionar 190”, finaliza.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado