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Brasília

Vida útil está no limite

Arquivo Geral

10/11/2012 9h25

Elaine Siqueira

elaine.siqueira@jornaldebrasilia.com.br


Rachaduras e infiltrações são alguns dos problemas que podem ser notados nas pontes e viadutos do DF. Em algumas dessas edificações, são visíveis os sinais de deterioração prenunciando tragédias evitáveis. Um olhar mais atento percebe que a passagem do tempo e os desgastes devido à mudança do clima e de temperatura são inimigos invisíveis que atuam implacavelmente. Avisos sobre a real situação das pontes e viadutos foram emitidos pelo Sindicato de Engenharia e Arquitetura (Sinaenco), após estudo realizado entre 2009 e 2011.  Com base na radiografia de pontes e viadutos, a entidade alertou sobre a necessidade de vistorias e manutenções periódicas.

 

Diante dos problemas, essas estruturas vêm recebendo reformas emergenciais para ampliar sua vida útil.

 

Manutenção

A primeira a passar por uma grande reforma será a Ponte do Bragueto. A obra fará parte de um projeto de aproximadamente R$ 110 milhões com sua concretização prevista para 2013. À primeira vista, a ponte apresenta corrosão na estrutura de ferro, decomposição no concreto, além de estar empenada. Recentemente, apareceu um buraco na ponte – que liga a Asa Norte ao Lago Norte. O serviço de manutenção  será realizado hoje. 

 

De acordo com o Departamento de Estrada e Rodagem (DER), no local da ponte serão erguidas outras duas paralelas. Assim como a do Bragueto, as pontes Juscelino Kubitschek,  Costa e Silva e das Garças também apresentam problemas considerados graves, como soltura de pedras da edificação.  A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) informou que possui um contrato para fazer o monitoramento do comportamento da Ponte Juscelino Kubitschek. 

 

A Secretaria de Obras, responsável pela manutenção das pontes Costa e Silva e das Garças, informa que desde o ano passado, a Novacap vem realizando intervenções periódicas nesses locais. 

 
Pistas Desniveladas

Quanto aos viadutos do DF, estes apresentam desnivelamento nas pistas e foi detectada a inexistência de placas de
sinalização informando sobre altura permitida para veículos, como carretas, por exemplo. 
 
 
Com base nas condições detectadas pelas vistorias que vêm sendo realizadas pelo governo, ficou decidido priorizar, num primeiro momento, uma intervenção de maior porte no viaduto da Galeria dos Estados. O projeto executivo para a obra está orçado em R$ 700 mil.
 
 
O viaduto da Estrada Parque Guará (EPGU) é um dos que precisam ser vistoriados frequentemente. A suspeita sobre sua condição aumentou desde o mistério da morte, em 2011, do diretor Novacap, Carlos Arthur Viveiros da Costa. Ele foi morto ao ser atingido por uma pedra supostamente solta do viaduto. 
 
 
Uma outra edificação que apresenta estrutura duvidosa é o viaduto da Estrada Parque Indústria e Abastecimento Sul (Epia Sul). Foi detectado que uma de suas pistas mostra vários nivelamentos, o que não é o correto. Em um desses pontos salientes, vários caminhões costumam ficar presos ao passar pelo local. Outros viadutos do DF serão recuperados por meio de convênio entre Secretaria de Obras e a Novacap. 
 

 
Ponto de vista
 
Segundo o professor de engenharia da UnB Dikran Berberian, é natural o desgaste das pontes e viadutos, até porque as obras também envelhecem. Porém, estes locais continuam apresentando estado crítico e tendem a piorar. 
A explicação se deve ao descaso com relação às manutenções. “Deveriam ser feitas manutenções básicas  de três a cinco anos. Mesmo que o diagnóstico seja superficial, alguns problemas podem ser solucionados.”, explicou. 
 
 
Para o professor, a construção civil de Brasília é muito boa, mas é alvo de críticas constantes. Um dos motivos é a demora para a concretização das obras. “Se for para realizar obras em longo prazo, outras opções devem ser apresentadas para que a ausência delas não reflita no aumento de fluxo de veículos”, explica.  

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