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Brasília

Vida nova para a Faculdade Dulcina

Arquivo Geral

05/04/2013 9h00

 

 

Patrimônio das artes, a Faculdade Dulcina de Moraes chegou ao ponto de quase fechar suas portas. Dívidas, estrutura precária e evasão de alunos eram os principais motivos. Mas, agora, o cenário começa a mudar radicalmente. Pelo menos é o que promete o Governo do Distrito Federal, que deve assumir a gestão da escola no segundo semestre deste ano. A medida é apoiada por docentes e alunos da instituição, que há anos reivindicavam o apoio do governo local. 

 

Fundada há 30 anos, a Faculdade Dulcina, conforme contou o novo diretor Márcio Cardoso, é para os artistas de todo o País uma referência em formação plástica e teatral. Em meados dos anos 80, chegou a ter dois mil alunos. Hoje, os números são tristes: apenas 200 estudantes frequentam as salas no Conic. “Artistas de todo a parte  do Brasil conhecem a instituição. Muitos diretores, inclusive, se formaram aqui”, ressaltou. “Muitos deles, com medo de fecharmos, acabaram indo para outros lugares concluir a formação”, disse o docente.

Mensalidades

 

A instituição, que tem como mantenedora a Fundação Brasileira de Teatro (FTB), tem hoje mensalidades que variam entre R$ 100 e R$ 695. Uma das mudanças deve ser nos valores. Sendo estatizada, é possível que os alunos paguem apenas uma pequena taxa ou, até mesmo, estudem gratuitamente, como querem muitos. Neste caso, os recursos para manutenção da escola serão repassados pelo governo. “Penso que com esse dinheiro que pago hoje aqui, vou poder investir em outras coisas, outros cursos, caso a faculdade fique de graça mesmo”, comemorou o bacharel em artes cênicas Éder Antunes, 30 anos.

 

Quem também festejou a iniciativa foi Júlio Ribeiro, 19, aluno de interpretação teatral. Para ele, vários fatores são positivos na decisão. O primeiro é a própria formação, que ficará garantida nas  mãos do GDF. O segundo é o patrimônio incalculável da Companhia Dulcina-Odilon, que estava se deteriorando a cada dia. “Temos verdadeiras joias das artes aqui e íamos, muito provavelmente, perder tudo isso”, salientou.

 

Inaugurada em meados de 1970 pela atriz, diretora, produtora de espetáculos e professora de artes cênicas Dulcina de Moraes, a Faculdade Dulcina tornou-se responsável pela formação de milhares  de artistas e arte-educadores na Região Centro-Oeste e em todo o Brasil. Para ela, a vocação de Brasília era de ser o grande polo de cultura do País.

 

Em 2008, o GDF anunciou o tombamento do Teatro Dulcina, e dos acervos fotográficos, cênico e de textos da atriz como Patrimônio Cultural do DF. Além disso, por meio de decreto, dedicou o ano à grande dama do teatro brasileiro. ”Temos consciência da relevância de Dulcina na arte brasileira. Por isso, para nós, essa é sim uma grande vitória”, afirmou a universitária Júlia Rodrigues.

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