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Brasília

Vicente Pires: caos tira mais de 1,5 mil empregos

Arquivo Geral

17/01/2019 7h00

Foto: Vítor Mendonça/Jornal de Brasília

Ana Karolline Rodrigues
redacao@grupojbr.com

Em uma carta aberta, donos de comércios em Vicente Pires pedem socorro. Eles relatam grande prejuízo nas vendas por conta dos problemas de urbanização da cidade, que afastam os clientes. Segundo o texto, “nos últimos 120 dias, em face ao atraso das obras e aos grandes problemas com alagamentos, buracos, poeira e dificuldade de mobilidade, o setor produtivo local já perdeu cerca de 40% do movimento”. O prejuízo, segundo o documento, tem acarretado em demissões e diminuição das atividades comerciais. Sobre o caso, a  Secretaria de Obras e Infraestrutura do Distrito Federal assegura que o novo governo “tomará providências para dar mais celeridade” às obras na região.

Na carta, o presidente da Associação Comercial de Vicente Pires (ACIVIP), Anchieta Coimbra, afirma que cerca de 1,5 mil funcionários foram demitidos  dos comércios como consequência dessa queda no movimento. De acordo com ele, a  cidade conta com cerca de 3 mil empresas e uma feira que recebe aproximadamente duas mil visitas por semana, sendo juntas responsáveis pela geração de 25 mil empregos diretos e indiretos. Por conta dos problemas de urbanização, Coimbra relata que, nos últimos quatro meses, cerca de 100 dessas empresas “já fecharam as portas em decorrência das obras e dos transtornos causados”.

Segundo Coimbra, a baixa nas vendas do comércio ocorreu por uma série de fatores. “As obras não acabaram, então quando chove fica impossível de andar na rua por causa da lama. Quando faz sol, fica impossível por causa da poeira. Os clientes não entram na cidade”, afirmou. Para ele, a situação só mudará quando a infraestrutura da cidade for garantida. “Estamos tentando uma reunião com o governador, fizemos o pedido e estamos aguardando. Enquanto o governo não fizer alguma coisa a tendência é só piorar”, completou.

Em relação à queda no movimento do comércio, a Secretaria de Obras afirmou que antes mesmo do início das obras a população local já sofria com os problemas de urbanização e, assim, esta situação só será solucionada com a conclusão da infraestrutura. Segundo o órgão,  as obras no Setor Habitacional Vicente Pires estão em andamento e de acordo com o cronograma estabelecido.

Sem retorno

Mateus Ferreira, gerente de uma loja de bicicletas na Rua 4 A, conta que vários clientes admitiram que não voltariam a comprar na loja por não conseguirem andar por ali. “Antes a gente lavava a loja uma vez por dia, e agora são umas três vezes”, afirmou.

A loja perdeu principalmente na venda de roupas para ciclistas. “Elas ficam sujas com a poeira. A  gente tem as roupas seminovas, que tem que mandar para a lavanderia o tempo todo”, relatou.

A expectativa atual do comerciante é que, com a mudança de governo, algo possa ser feito em relação à infraestrutura da cidade. “É uma situação muito precária. A gente espera que o novo governo ajude, porque essa situação já está aí faz muito tempo”, afirmou Mateus.

Comerciante impedido de prosseguir

Kacios Cley da Silva Nascimento era dono de um lava a jato no Lote G da Chácara 128. Após três anos de funcionamento, ele teve de fechar o negócio no em outubro do ano passado, pela dificuldade de mantê-lo. “Eu lavava 20 carros por dia, mas quando teve a obra eram dois, três carros. Se chovesse nem tinha como lavar”, contou.

Por conta das obras na cidade, Kacios recorreu a um empréstimo para cobrir o prejuízo. “Durante a obra, como a movimentação baixou quase 80%, eu tive que fazer empréstimo para pagar aluguel e funcionário. Falavam que as obras iam ficar prontas no próximo mês e nunca ficavam, aí fui fazendo empréstimo, empréstimo, e não dava mais”, relatou.

Atualmente, o também morador da região espera que a situação se regularize. “As calçadas aqui na avenida também não foram feitas, sendo que já estavam no orçamento. Falaram que até o fim do ano essas obras ficam prontas e espero que fiquem mesmo”, deseja.

De acordo com o garçom Wendel Guilherme Ribeiro, que trabalha em um restaurante na Rua 4 A, a poeira das obras é um dos principais motivos que afastaram clientes. “O movimento caiu bastante”, contou.

Segundo ele, os trabalhadores têm de limpar as mesas da área externa a todo instante por conta da sujeira. “Tem muita poeira. Limpamos umas quatro, cinco vezes por dia. Sem contar o transtorno para o cliente que chega e acha que está sujo”, lamenta.

Versão Oficial

Segundo a Secretaria  de Obras e Infraestrutura do DF, estão sendo investidos R$ 463 milhões na execução de 185,6 km de drenagem pluvial e 253,4 km de pavimentação asfáltica em vias, calçadas e meios-fios de Vicente Pires. Em relação às ruas da cidade, a Secretaria informou que os serviços de drenagem estão sendo finalizados e que serão aguardados pelo menos de 10 a 15 dias de estiagem  para realizar a pavimentação, por não ser possível realizar o serviço com o solo encharcado.

Em nota, o órgão ainda afirmou que “quanto aos transtornos ocasionados pelas chuvas fortes do período e as obras, as empresas contratadas para executar as obras de infraestrutura em Vicente Pires estão em estado de alerta e à disposição para atender demandas da população e intervir em pontos específicos para melhorar a trafegabilidade de veículos e mobilização de pedestres. Além disso, uma equipe de engenheiros da Secretaria de Obras e da Novacap, juntamente com técnicos de outros órgãos, está mobilizada, mapeando pontos críticos e monitorando a situação com o intuito de contornar os transtornos ocasionados pela chuva e obras”. Toda a obra em Vicente Pires tem previsão de entrega para dezembro de 2019. No entanto, o novo governo garante que várias entregas parciais serão realizadas no decorrer deste período.

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