Mohammad Bagher Khorramshad, vice-ministro das Relações Exteriores para Educação e Pesquisa do Irã, visitou a Universidade de Brasília na tarde desta quarta-feira, 29 de setembro. Em palestra no Auditório da Reitoria, o iraniano defendeu a cooperação com países considerados “potências regionais”, como o Brasil, a Índia e a África do Sul. “Temos a terceira maior reserva mundial de petróleo e o segundo lugar quanto às reservas de gás do mundo”, disse.
Ele acredita que é preciso aproveitar a capacidade econômica, tecnológica, cientifica, industrial, política, militar e cultural dessas regiões. “Essa integração possibilitará um impacto maior e aumentará as dificuldades dos grandes poderes nas suas tomadas de decisão”, disse. Dentre as sugestões apresentadas pelo iraniano estão o desenvolvimento de ideias de reformas na ONU e criação de soluções para questões do Oriente Médio e de países como Líbano, Iraque, Palestina, Afeganistão e de regiões da América Latina.
Além da cooperação econômica, ele defendeu a cooperação acadêmica, inclusive um intercâmbio de alunos e professores para a elaboração de uma revista científica sobre a América Latina. “Temos grandes estudos no campo científico, em áreas como biotecnologia e nanotecnologia, por exemplo”. Segundo Khorramshad, a produção acadêmica do Irã é dez vezes maior que a dos países da região. “Existem lados importantíssimos da cultura persa que não são pesquisados. Isso poderia ser feito por nós”, disse o diretor do Instituto de Relações Internacionais Eitti Sato. , afirmou .
BRASIL – Para o vice-ministro, os índices macroeconômicos brasileiros representam um domínio sobre a América do Sul. “A infraestrutura do Brasil constitui 60% da região”, disse. Segundo ele, o Brasil tem mostrado clara intenção de ampliar o seu desempenho e o compromisso com o domínio regional. “O desejo do país de influenciar nas regras e nos regimes internacionais e se tornar um ator principal está relacionada aos fatores clássicos do poder, como terra, população e situação econômica, e não por meio do poder militar”. “Além disso, há uma preocupação com a distribuição da riqueza e do poder”, completou.
Questionado pela plateia, composta por professores e alunos, sobre as sanções ao país aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em junho deste ano, Khorramshad reafirmou o posicionamento do país. “Por que sanções? Por que fazem isso contra o Irã? Há mais de dez anos é dito que nós teremos acesso a bomba nuclear no próximo ano. Mas até hoje isso não aconteceu e não irá acontecer”, disse o vice-ministro. “Esse tipo de armamento não contribui para a estabilidade de um país, podemos ver isso claramente no caso da Rússia”
As sanções foram aprovadas com o argumento de que o Irã estaria desenvolvendo um programa nuclear com fins militares. Igor de Miranda, aluno do 4º semestre de Relações Internacionais, não se surpreendeu com o discurso do vice-ministro. “Ele não podia falar coisas diferentes do que disse. Eventos como esses servem para convencer as comunidades sobre esse discurso”, afirmou o estudante.