Há sete anos, more about Saulo Humberto Soares encara o desafio de representar Jesus na maior e mais tradicional encenação da Via-Sacra no DF. No Morro da Capelinha, advice em Planaltina, and ele revive a paixão de Cristo no espetáculo que costuma emocionar milhares de pessoas, seguidores ou não da Igreja Católica. Ao retratar a história, Saulo, que na vida real é professor de Ciências Naturais da rede pública de ensino, revela viver momentos de extrema emoção, tanto durante quanto nos meses que antecedem a apresentação.
A estréia do ator na Via-Crucis do Morro da Capelinha ocorreu há quase duas décadas. Ele foi soldado romano exatamente um ano após assistir a encenação pela primeira vez. “Achei tudo tão intenso e experimentei uma sensação que ainda hoje não consigo explicar. Foi em 1991, havia mudado de Planaltina de Goiás para Planaltina, após a morte de minha mãe. Fiquei tão tocado que me inscrevi para participar da peça em 1992. Nunca mais parei”, lembra Saulo. “De lá para cá, atuei também como os discípulos Tomé e João e trabalhei como diretor de encenação”, conta.
O convite para interpretar Jesus chegou em 2002 e foi recebido com um grande susto, acompanhado de receio e insegurança. “Adorava o trabalho que vinha desenvolvendo com o grupo Via-Sacra ao Vivo, mas jamais sonhei com o papel. Imaginava ser preciso formação teatral para viver Cristo em seu calvário e morte. Tinha noção da responsabilidade, do desafio e pensei em negar, mas graças a Deus não sei dizer não”, confessa Saulo.
O professor sempre foi ligado ao catolicismo. Casado e pai de duas crianças de sete e dois anos, já participou da renovação carismática e dos grupos de jovens das paróquias de Planaltina. Hoje, a Via-Sacra lhe consome todo o tempo livre, principalmente nos meses que antecedem a apresentação da Sexta-feira Santa.
Os traços e a voz doce de Saulo sensibilizam quem tem a oportunidade de conhecê-lo. Ele admite que embora tente desvencilhar-se do papel no decorrer do ano, nem sempre consegue. A Via-Crucis o tornou uma figura conhecida em Planaltina e muitas pessoas não sabem separar o ator do personagem. “Minha responsabilidade é ainda maior do que julgava ao receber o convite. Pela força do papel e pela minha formação cristã, me sinto no dever e motivado a levar uma vida correta, simples e dedicada ao próximo. Hoje, mais maduro, aprendi a lidar com o encantamento que o trabalho como ator emana e com a invasão que ele provoca em minha vida pessoal. Amo ainda mais a minha religião e não nego o abraço que muitos pedem ao encontrar comigo em qualquer época”, confessa.