
Emoção, fé e esperança foram os sentimentos que embalaram os corações das cerca de cinco mil pessoas que acompanharam a encenação dos últimos momentos da passagem de Jesus pela Terra no Taguaparque, em Taguatinga.
Conhecido há mais de dois mil anos, enredo surpreendeu e comoveu quem assistiu. Durante a apresentação, que durou aproximadamente duas horas, o público chorou e aplaudiu cada cena do espetáculo de morte e ressurreição de Cristo.
A 24ª edição da montagem contou com a participação do ator Hugo Bonemer representando o Cristo, Débora Nascimento na pele de Maria, José Loureto como Heródes e Giovana Lancelotti no papel de Raquel. Boa parte do público acompanhou a apresentação em arquibancada coberta e teve a oportunidade de conferir a todos os detalhes por telões de LED, de 12 metros de comprimento por 10 metros de altura.
O evento contou com a participação de cerca de 800 profissionais, entre atores, técnicos e voluntários. Em misto de devoção e dedicação à arte, os participantes se uniram para apresentar ao público o sacrifício de um inocente pelos pecados da humanidade.
Para a servidora pública Márcia Vieira, 53 anos, assistir à encenação é uma experiência renovadora já que, a cada ano, “a sensação de renovação espiritual é maior”. “Já fui a vários espetáculos da via-sacra. Em Taguatinga é a primeira vez. Estou maravilhada”, relata.
Católica praticante, ela reforça a importância da tradição das apresentações brasilienses que atraem multidões. “Vejo que as pessoas ficam mais suscetíveis à misericórdia e ao perdão. Seja qual for a crença, o coração é aquecido quando presenciamos a história de Jesus”, pontua.
Família reunida
Este ano, a servidora fez questão de levar a família. “Moramos no Gama, mas fizemos um esforço para estar aqui. Vieram todos, é um momento de união”, observa. Ela garante que em 2015 repetirá a dose. “Virei com certeza. Quem sabe com ainda mais familiares”, promete Márcia.
O amor ao próximo é o principal legado que Jesus deixou aos seus filhos, segundo a professora Fátima Imaculada Vieira, 48 anos. “Hoje é o momento de reforçar o mandamento de ‘amar ao próximo como Eu vos amei’”, destaca.
Um tom contemporâneo
O momento mais inspirador, para a professora Fátima Imaculada Vieira, é quando o filho de Deus renasce. “É muito emocionante. Não consigo conter as lágrimas”, diz. Já o mecânico Elias de Santana, 36 anos, tem como momento preferido a parte da crucificação. “Apesar da tristeza, é o mais tocante”, opina.
O casal Wallace Lopes, 49, e Ivone Bonfim, 44, afirmam que fizeram questão de levar a filha para ver de perto o espetáculo. “Transforma a vida, paixão e morte de Jesus em uma encenação que mistura aprendizado e cultura”, aponta Wallace. Para Ivone, a carga emocional é renovada a cada apresentação. “É um sentimento único a cada ano que assisto. É como se fosse sempre a primeira vez”, avalia.
Diversidade
Segundo um dos organizadores, José Carlos Prestes, a ideia é levar ao público um misto de diversidade e emoção. “Trouxemos um repertório de dança, música contemporânea e um figurino diferenciado”, explica. Prestes destaca que o evento tem um tom contemporâneo. “Ao contrário da encenação no Morro da Capelinha, em Planaltina, que tem tom realista, a ideia em Taguatinga é a de proporcionar um diálogo entre modernidade e tradição”, afirmou