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Brasília

Via-Sacra de Planaltina: tão perfeito que até parece real

Arquivo Geral

19/04/2014 8h00

Mais uma vez, a Via-Sacra de Planaltina conseguiu emocionar o público. O evento, considerado o maior do Centro-Oeste, veio com novos efeitos. A apresentação, que completa 41 anos, encantou os olhares atentos dos mais de 160 mil espectadores. Pessoas de todo o Distrito Federal foram assistir à encenação das últimas horas de Jesus Cristo. O percurso, de mais de 4,5 quilômetros até o alto do Morro da Capelinha, torna-se, enfim, palco de demonstrações de fé.

“Hoje é meu aniversário. Avisei para a família e amigos que quem quisesse comemorar comigo tinha que vir para cá. Sinto a presença de Deus aqui. Não é sacrificante, é bonito, leve. Por isso, completo meus 61 anos com muita certeza de que estou renovando minha crença no filho de Deus, nas palavras dele”, diz a aposentada Madalena Silva, de 61 anos.

Para impressionar

As horas que se seguiram depois da condenação de Cristo foram acompanhadas de muita fé e comoção da plateia. Jesus foi interpretado, pela primeira vez, pelo advogado Marcelo Augusto, de Planaltina. Ele foi içado por um guindaste em uma plataforma, em formato de coração, fato que levou o público ao delírio.

Os mais de 1,5 mil integrantes da encenação se esforçaram para impressionar. Graças a feições realistas, figurino, som e iluminação impecáveis, os fiéis elogiaram o megaevento. A riqueza da vestimenta dos atores impressionou o público.

“É muito perfeito. O que eles fazem aqui é a prova viva de que tudo é possível nessa vida. São atores que acreditam no poder da fé”, opinou a nutricionista Helena Dutra, 35 anos. 

A encenação contou com a participação de secretários de Estado e do bispo auxiliar de Brasília, dom José Aparecido, que abençoou os fiéis antes da apresentação da ressurreição – momento mais aguardado pelos espectadores.

Presença ilustre

O padre Aleixo Susin, 86 anos, que organizou a primeira via-crúcis no Morro da Capelinha, assistiu de perto ao espetáculo, depois de 20 anos de ausência.

“Deixei de vir por um tempo porque acabava interferindo muito no trabalho do pessoal. Admiro muito o evento, é um espetáculo do céu”, afirmou o padre.

“Vim com a família toda para prestigiar o maior evento de homenagem a Cristo. É a nossa primeira vez aqui e tudo impressiona muito. Os cenários, as roupas. É muito real. Parece que fazemos parte da história também”, disse o pedreiro Gustavo Souza, 22, que carregava  o filho no colo durante o percurso.

Comoção para quem atua e assiste

A Via-Sacra de Planaltina é o maior teatro popular encenado a céu aberto do Centro-Oeste. Durante a encenação, atores e público ficam em contato direto. Os espectadores vaiam, aplaudem e até se exaltam quando Cristo é condenado. “Injustiça”, gritam.  

Jesus, interpretado pelo advogado Marcelo Augusto, é mais alto e mais magro que o antigo ator. Ele também passa boa parte da encenação carregando sozinho a cruz de 10 quilos.  “Não consigo traduzir em palavras a emoção de estar aqui. Fazer esse papel é como um chamado divino”, disse o ator, que não decepcionou os fiéis, e conseguiu interpretar com louvor o papel.

música

Um dos momentos mais emocionantes da apresentação é acompanhado pela música Pedaço de Mim, do compositor Chico Buarque de Hollanda. 

Ao perceber que seu filho está morto, Maria o retira da cruz e o cobre com um manto, relembrando o momento eternizado por diversos artistas, La Pietá. Nessa mesma hora, o trecho “a saudade é o revés de um parto” ecoa entre os espectadores.

Ao todo, o governo investiu R$ 1,6 milhão na produção deste ano. Hoje, acontece também, no Morro da Capelinha, a Via-Sacra da criança. Com uma linguagem voltada ao público infantil, o espetáculo tem duração de aproximadamente quatro horas. Nele, as crianças encenam os passos de Jesus: desde a entrada em Jerusalém sobre até sua morte e ressurreição. O espetáculo tem seu início às 15h, e conta, também, com muita  música, pintura de rosto e pula-pula. 

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