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Brasília

Vendas crescem em todo o País, mas na capital queda vai a 6%

Arquivo Geral

02/02/2018 7h00

Atualizada 01/02/2018 22h18

Lojas ainda vazias no DF: apesar da alta de vendas no Natal, média de 2017 foi baixa. Foto: Sandro Araújo/Cedoc

Eric Zambon
eric.zambon@grupojbr.com

O comércio de Brasília sofre com o terceiro ano de resultados negativos. Conforme o braço local da Federação do Comércio (Fecomercio-DF), em 2017 as vendas caíram quase 6% em relação ao ano anterior. O setor de serviços foi o que mais sofreu, com quedas de cerca de 10% na comparação com o mesmo período de 2016. Somados os segmentos, a retração é de 7,23%.

“Já esperávamos que houvesse essa queda, como aconteceu em 2016 e 2015. Foi uma recessão longa”, justifica o presidente da entidade, Adelmir Santana. Ele prefere adotar um tom otimista, no entanto, e promete que os resultados consolidados de janeiro serão melhores que em 2017. “Os analistas trabalham com crescimento de 3% para este ano”, projeta.

Informalidade

Um dos fatores que anima Santana é a redução dos índices de desemprego no fechamento do ano. Segundo dados da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), o índice baixou de 18,4% para 17,9% em dezembro de 2017. Em números absolutos, significa uma redução de 8 mil, totalizando 292 mil trabalhadores sem ocupação em Brasília, 10 mil a menos em relação ao compilado de 2016.

Apesar disso, a própria presidente da Codeplan, Lucia Rennó, pediu cautela com os dados, pois os índices foram muito puxados pela informalidade. “Não podemos desconsiderar esse lado da nossa economia, que precisa ser trabalhado no sentido de ampliar a formalização, seja por meio de microempreendedores individuais seja pela criação de empregos”, disse ela na apresentação da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), na última quarta-feira.

Rennó lembrou também que a criação de 36 mil postos de trabalho no último ano foi insuficiente para absorver o crescimento da população economicamente ativa. Por isso, houve acréscimo do contingente de desempregados em 38 mil pessoas. De acordo com a Companhia, o número de assalariados aumentou em 1,4% em 2017 devido ao acréscimo no setor privado de 2,5%, o equivalente a 16 mil trabalhadores, e à redução no setor público em 1,3%, 4 mil pessoas.

Natal revela crescimento

O Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista) garante que o segmento de varejo não seguiu a tendência de queda apresentada pela Fecomercio. Conforme o presidente da entidade, Edson de Castro, tanto os resultados do Natal, melhor período para o setor, quanto do ano em si foram animadores em comparação a 2016.

“No Natal do ano retrasado, em função da crise, as vendas subiram 2,5%. Em dezembro de 2017, como a inflação e os juros caíram, as vendas cresceram 5,5% em relação a 2016. É mais do que o dobro”, frisa Castro. No desempenho anual, ele destaca o crescimento de 3%, contra apenas 1,8% do ano anterior.

Ele destacou que os piores fins de ano em vendas foram 2014 e 2015 e enalteceu o desempenho das lojas. Segundo o Sindivarejista, quando 2017 começou o DF registrava 21 mil lojas fechadas, mas para 2018, pelo menos 3 mil estabelecimentos novos surgiram no lugar e o número de locais inativos caiu para 18,1 mil.

Castro justifica o bom desempenho do varejo, segundo a métrica do Sindicato, pois, diferentemente do setor de serviços, trata-se de vendas para necessidades imediatas. “O serviço é quando você vai na barbearia, a mulher vai ao salão de beleza, quando você contrata um pedreiro. Então tudo isso pode esperar, não é prioridade”, especula.

O comércio, porém, costuma tratar de coisas essenciais e de uso imediato que muitas vezes não podem ser adiados. A demanda reprimida dos últimos anos também foi um fator.

Saiba mais

Apesar da queda nas vendas, o maior acréscimo no nível ocupacional foi no setor de serviços, segundo a Codeplan.

Foram 8 mil novas contratações, seguido pelo setor da Construção Civil, com mais de 2 mil postos de trabalho.

No segmento privado, cresceu o assalariamento com carteira de trabalho assinada (2,3% ou 12 mil postos de trabalho a mais).
A variação dos sem carteira foi de 5,2% o que corresponde a 5 mil pessoas.

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