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Vareta é a cara do Cruzeiro

Paixão por futebol e samba mostram Wellington Campos como personagem típico do local

Tereza Neuberger
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Em 22 de agosto de 1956 nascia no Rio de Janeiro, capital do Brasil à época, Wellington Campos, hoje mais conhecido como Vareta. Aos cinco anos de idade, em 1961, por motivos de transferência do pai, que era funcionário público da Imprensa Nacional, Wellington, na companhia dos pais e mais dois irmãos, chegou ao “bairro do gavião”, como o Cruzeiro Velho era conhecido.


“Sou do tempo do Distrito Federal quando o Rio de Janeiro era a capital, sou carioca da gema nascido no berço de bamba capital do samba”, declara Wellington.”


O Cruzeiro começou a ser ocupado em 1955, local onde eram abrigados os funcionários públicos federais que chegavam do Rio de Janeiro para trabalhar na construção da nova capital do Brasil. “A minha geração veio todo mundo criança, principalmente do Rio de Janeiro com os pais transferidos para o Distrito Federal”, conta Vareta.


“Cariense”


Hoje, aos 65 anos de idade, Wellington Vareta brinca que não é mais carioca e sim “Cariense”, uma junção de Carioca com Brasiliense. Além do sotaque, o gosto pelo samba e pelo Fluminense Football Club revelam seu DNA: “carioca da gema.” Wellington não poderia morar em um lugar tão significativo, tal qual a sua rua que é conhecida como rua do samba.


Em maio do presente ano, Vareta completou 60 anos de Cruzeiro e chega a se emocionar ao falar do seu sentimento pela região “tudo que eu tenho na vida eu construí aqui no Cruzeiro.”


Ele conta que no Cruzeiro você ainda encontra crianças soltando pipa e jogando bolinha de gude na rua. E lembra que “coisas do Rio de Janeiro que você ainda vê aqui, como o pagode na feira, pagode no Cruzeiro Center, pagode no quiosque Jeito Carioca, em cada cantinho do Cruzeiro tem uma parte do Rio de Janeiro.”

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Profissão


Radialista de profissão, Wellington tem uma vasta carreira nas comunicações. Ele foi assessor de imprensa no futebol brasiliense do Ceilândia Esporte Clube, da Sociedade Esportiva do Gama e do Botafogo DF.


No ano em que Wellington Campos chegou ao Cruzeiro Velho, alguns meses depois, em outubro do mesmo ano, a escola de samba Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro-Aruc foi fundada. “Eu cheguei primeiro de que a Aruc no Cruzeiro, e de lá pra cá eu fui criado dentro da Aruc”, conta Vareta, que já fez de tudo um pouco na escola de samba e guarda na memória várias histórias.


Ele, que só começou a desfilar efetivamente em 1971, já foi diretor de carnaval na Aruc, mestre de cerimônias, destaque, compositor. Além dele, sua mãe, seu filho e seus irmãos também desfilavam pela escola de samba.


O carioca destaca que a Aruc, que já foi campeã dos desfiles brasilienses por 31 vezes, não é só escola de samba, mas sempre também de esportes, e sempre foi um espaço aberto para comunidade.

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Em 2002, Wellington foi convidado para fazer um curso de jurado de carnaval em São Paulo e foi aprovado, o que o levou a ser jurado do carnaval de São Paulo de 2003 a 2017. Para Vareta, hoje o Rio de Janeiro é só para passear, curtir o futebol, curtir o samba, e a sua escola carioca de coração, a Mocidade Independente de Padre Miguel. “Em Brasília meu coração é azul e branco pois a Aruc é afiliada da Portela, mas no Rio ele é verde e branco, da Mocidade.”


Em 2019 Wellington, que tem diabetes, teve parte da perna amputada por conta de complicações da doença, o que não conseguiu abalar seu bom humor, e alegria de levar a vida.








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