Johnny Braga
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Abrir os olhos e enxergar as cores do mundo para muitos pode ser apenas um ato mecânico, mas para quem passou muitos anos vivendo na escuridão, pode ser algo fantástico. É desta maneira que Vanessa Campos de Jesus Soares, 28 anos, define a experiência após realizar o transplante de uma das córneas. Ela ficou por mais de oito anos completamente cega. Vanessa integra uma lista de pessoas no Distrito Federal que conseguiram voltar a enxergar depois que a Secretaria de Saúde acelerou a fila dos transplantes. De janeiro até agora, mais de 300 procedimentos cirúrgicos de córnea foram realizados.
Desde o ano passado, a fila para o transplante foi sendo reduzida até finalmente zerar. Segundo a Secretaria de Saúde, só no DF, foram realizados 728 procedimentos cirúrgicos nos últimos 22 meses.
Fila zerada
Em todo o País, segundo o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) Saúde, apenas este ano, quase oito mil pessoas saíram da rotina da escuridão e passaram a enxergar o mundo em todas suas cores. Se comparado com todo o ano passado, houve um aumento de 13% das cirurgias, quando 6.891 foram realizadas.
Além da capital federal, também foram bem sucedidos os estados do Acre, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e São Paulo. Todos eles conseguiram zerar a fila de espera para esse tipo de transplante. No DF, as cirurgias foram realizadas no Hospital de Base e no Hospital Universitário de Brasília.
Vanessa é uma das pacientes beneficiadas no DF. Ela ficou cerca de oito anos sem enxergar devido a um incidente em uma festa. Ela não se esquece do episódio: “Estava com amigos, quando alguém iniciou uma briga. De repente, essa pessoa, que não sei quem é, atirou uma garrafa para o alto que acertou minha testa. O impacto da pancada e os estilhaços feriram minhas córneas e me cegaram completamente”, recorda.