Da Redação, com agências
redacao@jornaldebrasilia.com.br
A Secretaria de Saúde começa a vacinar nesta sexta-feira as meninas com idade entre 11 e 13 anos contra o papilomavírus humano (HPV). A data foi escolhida a dedo, por ser o Dia Internacional da Mulher. No ano passado, no Distrito Federal, 90 mulheres morreram vítimas de câncer do colo do útero, uma das principais doenças causadas pelo HPV.
A expectativa é de que 64 mil jovens sejam vacinadas. A imunização é uma ação pioneira no País. Serão disponibilizadas 160 mil doses para vacinar todas as meninas matriculadas nas redes pública e privada de ensino do DF. Porém, só serão vacinadas as estudantes que tiverem autorização dos pais, por escrito, em formulário próprio. A imunização será feita no próprio colégio por profissionais da Secretaria de Saúde. Além disso, os professores foram capacitados para orientar pais e alunos quanto à importância da imunização e de seguir o cronograma de doses.
Senado
Em setembro do ano passado, o Senado aprovou projeto de lei que prevê que meninas de nove a 13 anos tenham o direito de receber gratuitamente na rede pública de saúde a vacina contra o HPV. O texto, da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados.
A Secretaria de Saúde do DF, em parceria com a Secretaria de Educação, decidiu imunizar, em um primeiro momento, apenas meninas de 11 a 13 anos em razão do preço elevado da vacina. A expectativa é que, nos próximos anos, toda a faixa etária prevista no projeto receba a dose. Hoje, os pais chegam a desembolsar R$ 380 para a aplicação das três doses da vacina na rede privada. Já a Secretaria de Saúde do DF adquiriu as doses por R$ 74.
Alerta
O GDF destacou que a dose é nova no calendário de vacinação da rede pública, mas tem a eficácia garantida. Reações adversas como febre podem ser registradas como em qualquer outro processo de imunização. O alerta maior é que a vacina protege apenas contra o HPV e não previne as demais doenças sexualmente transmissíveis (DST).
A Secretaria de Saúde investiu R$ 13 milhões na compra das vacinas. Cada garota vai receber três doses ao longo de 2013. A partir de 2014, a vacinação será exclusiva para meninas de 11 anos.
Economia para o sistema
Para a subsecretária de Vigilância à Saúde, Marília Coelho, a introdução dessa nova vacina é um dos projetos mais importantes do governo do DF, nos últimos tempos. “O custo benefício será muito grande, pois vai evitar 70% dos casos de câncer de colo de útero, e trazer uma economia brutal para o sistema de saúde”, disse.
Estudos no mundo comprovam que 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. Essa porcentagem pode ser ainda maior em homens. Porém, a maioria das infecções é transitória.
O uso de preservativo (camisinha) durante todo contato sexual não protege totalmente da infecção pelo HPV, pois não cobre todas as áreas passíveis de serem infectadas. Na presença de infecção na vulva, na região pubiana e proximidades, o HPV poderá ser transmitido apesar do uso do preservativo. A camisinha feminina, que cobre também a vulva, evita mais eficazmente o contágio, se utilizada desde o início da relação sexual.
Para evitar o câncer de colo de útero, é importante fazer o exame preventivo (de Papanicolaou ou citopatológico). Quando essas alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível prevenir em 100% a doença.