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Brasília

Usuários reclamam da falta de ôninus em Águas Claras

Arquivo Geral

11/03/2009 0h00

É um exercício de paciência esperar ônibus em Águas Claras. Que o digam os amigos Abder Paz, approved 22 anos, generic e Tábata Lorena da  Silva, approved 20. Sentados numa parada da Avenida Castanheiras, eles batem papo, repassam anotações de uma peça de teatro, brincam e cantam, enquanto esperam uma condução para Taguatinga Sul. A entrevista com os dois dura cerca de dez minutos. Neste tempo, nenhum coletivo passa.


“Já estamos há 25 minutos aqui e nada”, diz Abder. A reportagem vai embora e os dois permanecem à espera de um ônibus. À exemplo de Abder e Tábata, milhares de pessoas sofrem para pegar condução em Águas Claras. A maior reclamação é quanto à frequência. Alguns passam só de hora em hora e, mesmo fora do horário de pico, estão sempre cheios. O gesseiro Gilson Pessoa de Oliveira, 38 anos, diz que já ficou 40 minutos esperando a linha que passa para Ceilândia Sul. “Quem trabalha aqui e depende de ônibus sofre muito. Além de ficar muito tempo na parada, os ônibus passam lotados. Acho que o governo deveria colocar mais carros aqui”, defende Gilson.


Quem não tem paciência, pega o primeiro ônibus que passa, desce em algum lugar movimentado e entra em outra condução, mesmo que isso signifique pagar mais. “Eu não consigo ficar uma hora na parada. Normalmente eu embarco no primeiro que passa, desço na EPTG e pego outro ônibus. Gasto o dobro, mas economizo no tempo”, diz a cozinheira Maria da Costa Pereira, 38 anos, moradora de Samambaia.


Pontos descobertos


A espera por um coletivo se torna mais penosa nos pontos onde não há cobertura. Em dias de sol forte ou chuva, a situação fica mais complicada. As marquises dos edifícios se transformam em abrigo para que as pessoas se protejam da água. Os postes de iluminação pública são usados como encosto. Os mais cansados sentam nas tampas dos bueiros ou se agacham, enquanto aguardam o ônibus. “Saio cansada do serviço e fico 40 minutos em pé, no sol quente. É horrível. Quando chove é ainda pior, porque o ponto não é coberto e temos que ficar embaixo dos prédios e, quando os ônibus se aproximam, saímos correndo na lama para não perdê-los. Eles deveriam cobrir todas as paradas. Nós pagamos a passagem mais cara do Brasil. Pelo menos,nós temos que ter direito a um ponto decente”, reclama a empregada doméstica Maria Margareth Rodrigues, 45 anos, que mora no Setor O e esperou 30 minutos na parada em frente ao Shopping de Águas Claras.


De acordo com a Secretaria de Transportes, 58 ônibus, distribuídos em 19 linhas, atendem à cidade. O chefe da pasta, Alberto Fraga, afirmou desconhecer o problema, mas diz que vai determinar ao DFTrans que faça uma avaliação do sistema de transporte público na cidade. “Para mim é uma reclamação nova. Vou pedir ao DFTrans que faça uma pesquisa de campo e, se for necessário, vamos remanejar linhas para lá”, disse Fraga.


Ele adiantou que a ideia é substituir os ônibus por microônibus na cidade. Os estudos para implantação do novo meio de transporte começam esta semana e devem ser concluídos em 60 dias. “Águas Claras tem avenidas estreitas, ideais para o trânsito de micro-ônibus. Um estudo já foi determinado e se o resultado mostrar que a ideia é viável vamos implantá-la em breve”, ressaltou o secretário.


O administrador da cidade, Antônio Távora, informou que o problema será minimizado com a construção de 22 paradas de vidro cobertas. As obras de oito já começaram. “Quando assumi a administração identifiquei que os usuários do transporte público necessitavam de mais conforto ao esperar uma condução. Basta andar pela cidade para ver que várias obras de construção de pontos estão em andamento”. disse Távora.


O administrador considera que as 19 linhas são suficientes para atender aos trabalhadores e moradores da cidade, mas ressalta que, pela evolução da cidade, no futuro, mais coletivos terão de ser colocados na região administrativa. “Hoje, a quantidade de veículos é suficiente. A cidade está em plena evolução e vamos fazer um estudo, em parceria com a Secretaria de  Transporte, para, num futuro próximo, saber se há necessidade de mais ônibus”, complementou.

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