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Brasília

Usuários do Hospital do Paranoá reclamam da falta de profissionais

Arquivo Geral

12/11/2014 7h00

Desde que teve a perna direita prensada em um acidente de moto, no último dia 31, o professor de educação física Rivaldo Silva Souza,   37 anos, aguarda cirurgia no Hospital Regional do Paranoá (HRP). Com o osso da tíbia quebrado e sentindo fortes dores, ele precisa se contentar com desculpas diárias para o adiamento do procedimento:   equipe médica incompleta, agenda cheia e prioridade a casos mais urgentes. E os problemas não param por aí. Segundo o professor, também faltam enfermeiros, profissionais de limpeza e seguranças.   

“Assim que tirei o raio X, o médico disse que era um caso cirúrgico e me garantiu que, em no máximo quatro dias, faria o procedimento”, lembra Rivaldo. Desde então, lá se foram 12 dias de espera e promessas não realizadas. 

“No dia que cheguei ao hospital, em uma sexta, faltava anestesista. Aos fins de semana eles só atendem emergências. Na terça-feira, ocorreria um mutirão  e ele me deu certeza de que eu   conseguiria ser atendido. Passei toda a segunda-feira de jejum, no pré-operatório, e novamente não pude ser operado porque surgiu um caso mais grave”, reclama. 

No dia seguinte a saga continuou. “Na quarta também não deu por falta de staff (equipe médica). Foi então que eu reclamei. Fiquei em jejum, sentindo dores, ansioso pela cirurgia, e no final nada aconteceu. Tomei tanta medicação intravenosa que cheguei a perder uma das veias, sucessivamente picada pelas agulhas”, desabafa. 

“Frescura”

Para completar, Rivaldo teve que ouvir de um dos médicos que estava “de frescura” quando reclamou da forma como foi retirado um curativo. “Ele foi abrir a gaze e passou a tesoura em cima de uma ferida. Eu pedi para ir com calma porque estava doendo e ele disse que eu estava de frescura. Sei que o adiamento das cirurgias, muitas vezes, não é culpa deles, mas o atendimento precisa ser mais humanizado”, argumenta.   

O maior receio do professor, no entanto, é a cicatrização incorreta. “Sou professor de Educação Física e capoeirista. É disso que tiro meu sustento. Com a demora, corro o risco de ter o tendão encurtado, algum músculo atrofiado, ou pior, que o osso calcifique incorretamente, me deixando manco ou com dores ao me movimentar”, alerta. 

Rivaldo também menciona o risco de permanecer no ambiente hospitalar e, segundo sua mulher, a ameaça existe. “Uma enfermeira me disse que precisava controlar a entrada de acompanhantes porque a equipe médica estava tentando conter a proliferação de duas bactérias no andar em que o meu marido está internado”, comenta a servidora pública Cleyde Souza, de 36 anos.

Paciente de 99 anos: estado delicado

Deitada em um leito da internação, Maria de Oliveira Neto, de 99 anos, aguarda respostas. Ela está no hospital há cerca de um mês, em função de  uma fratura no fêmur. A família esperava um parecer sobre a necessidade de cirurgia, mas recentemente foi informada de que a paciente não seria submetida ao procedimento, em função do alto risco, decorrente da idade avançada.  A espera, porém, foi tão longa que a idosa acabou contraindo pneumonia. “Falta agora a liberação de um laudo para que ela receba alta. Mas isso nunca sai”, comenta a diarista Maria Marques (foto),  37 anos,   neta da idosa.

Mais de um mês de espera

 Há outros pacientes aguardando por cirurgias. O estudante Francisco Oliveira, 21 anos, por exemplo,  veio do Maranhão para ser operado, após sofrer um acidente de moto. Desde então, usa um fixador de ferro na perna.  “Já faz  mais de 30 dias que aguardo a cirurgia. Os médicos dizem que   faltam   anestesistas e material”, lamenta. 

Joaquim Pereira Filho, operador de máquinas agrícolas, 22 anos, também sofreu acidente de moto, há   mais de um mês. “Usei um fixador por muito tempo e, por isso, perdi parte dos movimentos do pé direito, além de ter sofrido um encurtamento do tendão. Agora aguardo uma cirurgia para alongamento do tendão e colocação de pinos”, conta. De acordo com o paciente,  “faltam medicamentos básicos para dor, como dipirona”.

A Secretaria de Saúde informou que a direção do HRP está  ciente do atraso nas cirurgias  e tem prestado todo o apoio para que os pacientes permaneçam estáveis até a realização dos procedimentos. “Casos graves têm prioridade”, explicou. A direção admite   a baixa no fluxo de cirurgias ortopédicas devido a problemas na escala dos médicos, mas diz que a situação deve ser normalizada nos próximos dias.  

A pasta reconheceu que a dipirona injetável 500mg/ml – 2mL está em falta, mas deve chegar em breve. A SES negou a existência de bactérias na unidade,  assim como a falta de profissionais   de limpeza, segurança e enfermagem

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