Elaine Siqueira
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Em busca de um melhor desempenho sexual ou simplesmente uma garantia de que não irão decepcionar suas parceiras, 20% dos jovens entre 25 e 35 anos usam algum tipo de medicamento para disfunção erétil sem prescrição médica, e sem necessariamente precisarem dessas substâncias. É o que aponta a pesquisa feita pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, ao consultar 300 pacientes durante um mês.
Porém, o que nem todos os jovens se atentam é que o uso indiscriminado pode ocasionar problemas físicos e psicológicos. Um deles é o aumento de insegurança durante o ato sexual. Dessa forma, o homem passa a utilizar o medicamento com frequência em várias situações. Segundo o estudo, o uso dos estimulantes sem necessidade e sem prescrição médica não faz a diferença que se espera no desempenho sexual.
De acordo com o médico responsável pelo setor de andrologia do Hospital de Base, especializado em distúrbios eréteis, Eduardo Pimentel, é pouco provável que a grande maioria desses usuários tenha necessidade de usar a medicação. “O que pode acontecer é um misto de curiosidade por um uso recreativo. Não é uma prática saudável”, alerta.
Riscos
Segundo o especialista, estes medicamentos contêm a chamada enzima fosfodiesterase, que expande os vasos dilatadores e provoca um aumento da pressão arterial. “O jovem não correrá risco imediato, apenas sentirá os efeitos colaterais da medicação”, explica.
Porém, pacientes que sofrem de doenças crônicas, como diabetes, colesterol e pressão alta estão suscetíveis a um risco que não fazem conhecimento. “Algumas condições clínicas não são compatíveis aos pacientes, e precisam ser avaliadas por um médico. Em casos extremos, pode levar até a cegueira”, esclarece o médico do Hospital de Base.
Dependência desnecessária
O médico Eduardo Pimentel alerta que pacientes jovens que fazem uso abusivo dos estimulantes podem desenvolver psiquicamente uma dependência. “Cria-se uma relação de fantasia com o estimulante e a produtividade na relação sexual começa a ficar comprometida”, destaca.
Em outros casos, o homem até mesmo desconhece o que é uma ereção normal. Assim, acaba se tornando uma pessoa estressada, com medo de falhar e de ser mal interpretado na sociedade. “Temos relatos de jovens que fazem uso da combinação de estimulante com outras drogas, como ecstasy e cocaína. Esta combinação pode contribuir ao priapismo (ereção permanente, frequentemente dolorosa)”, conta Pimentel.
No estabelecimento em que o farmacêutico, G.L. trabalha, a procura de jovens pelo comprimido aumentou após a quebra de patente do medicamento. Assim, o preço ficou mais acessível. “A exibição diante das mulheres causa tamanha adrenalina”, justifica. De acordo com G., os estimulantes mais vendidos são o Viagra e o Ciallis. O preço vai dos R$ 13 aos R$ 405, a depender da quantidade e marca. “O uso torna-se um tanto quanto invasivo, mecânico e interfere na espontaneidade da relação sexual”, lembra o farmacêutico.
Para experimentar
Neste mercado dos estimulantes, existem também os vendedores informais – prática ilegal. R., 24 anos, vende compridos a R$ 30 cada. Segundo ele, amigos o procuram para impressionar as garotas que conhecem durante a balada. Alguns são clientes fixos e retornam, pois sabem que a compra é fácil. “Boa parte deles querem se exibir, outros usam apenas para experimentar”, confessa.
O comprimido chega até as mãos de R. por meio de uma colega que trabalha em um laboratório que o manipula. “É tudo na camaradagem, ela nem me cobra nada”, diz.
Médico responsável pelo setor de andrologia do Hospital de Base, Eduardo Pimentel faz um alerta para que se procure auxílio aos especialistas em urologia, pois o médico que receita o tipo de estimulante deve fazê-lo de maneira responsável. “Nós precisamos analisar se o paciente realmente tem disfunção erétil. E, em seguida, acompanhar esse paciente de perto para ver se ele está respondendo bem à droga”, afirma.
Os médicos devem buscar manter um registro de quantas pílulas um paciente usa em um determinado período. Além disso, devem educar seus pacientes sobre o papel e uso destes medicamentos.
Tratamento
Entretanto, para quem faz uso frequente do medicamento há formas para tratamento. Desde terapia da autoinjeção no órgão genital masculino, supositórios na uretra e até mesmo terapia com dispositivo de ereção a vácuo.
O jovem F., 25 anos, já fez uso do medicamento, mas garante que foi por engano. Ao comentar com uma amiga que teria uma noite com uma companheira, ela forneceu o comprimido. “Pensei que era alguma outra droga. Quando tomei, me impressionei com meus braços, as veias ficaram a mostra”, diz.
Saiba mais
Conforme alertam especialistas, muitos destes jovens confundem o real caso de disfunção erétil e impotência sexual. Trata-se de disfunção quando há incapacidade de conseguir uma ereção satisfatória para o ato sexual, e a disfunção permanente pode ser diagnosticada por meio de exames.
Quanto à impotência, esta envolve outras manifestações da sexualidade masculina que nada têm a ver com a ereção, assim como a falta de desejo ou de orgasmo, e a ejaculação precoce.
Em ambos os casos, a recomendação é procurar um especialista.