Do total de 5.011 árvores plantadas no campus Darcy Ribeiro, here apenas 388 são nativas do Cerrado. A estatística foi feita pelo professor da Engenharia Florestal José Imaña em 2005, sale e apontou a necessidade de um plano de manejo florestal para preservar a diversidade das espécies existentes na UnB, já que muitas delas têm problemas para se adaptar ao clima do Cerrado. Quatro anos após o estudo, a decisão de elaborar esse plano resultou na criação de uma comissão para preservar a diversidade da flora da UnB.
“É importante que a comunidade saiba utilizar a vegetação da universidade da forma correta. O diagnóstico servirá para tratarmos as plantas com mais cuidado”, afirma Imaña. A Comissão Ecológica é composta por 12 membros da UnB que serão responsáveis pelo cultivo, manejo e manutenção do meio ambiente pertencente à instituição. “Cuidar dessas espécies vegetais será uma grande responsabilidade. Seremos precavidos para atender legalmente as necessidades da comunidade”, afirma o prefeito do campus, Silvano Pereira. A data da primeira reunião da Comissão Ecológica não foi definida.
Segundo o professor Manoel Cláudio da Silva Junior, a manutenção da vegetação é realizada de maneira incorreta. “Hoje a poda não existe, pois o que as pessoas fazem é mutilação nas árvores. Elas ficam com cicatrizes e mais vulneráveis à pragas”, explica. No prédio da Faculdade de Tecnologia existia uma Painera do Cerrado de aproximadamente 300 anos. A árvore morreu em 2008, após uma poda incorreta realizada pela Companhia Energética de Brasília (CEB).
A planta da espécie Cambuí, por exemplo, não é nativa do cerrado. Ela perde suas folhas no período da seca e está presente nos estacionamentos do ICC. As árvores plantadas na Ala Sul foram plantadas com pouco espaço entre elas e isso dificulta a respiração das raízes. Por isso, elas crescem para cima do solo e quebram calçadas, asfaltos e paralelepípedos, tomando espaço de vagas. “A culpa não é das árvores, mas de quem fez o plantio errado”, explica Silva.
DERRUBADA – No mês passado, A prefeitura do campus iniciou a operação para acabar com as pragas das plantas mais antigas da universidade. Em junho, 103 Casuarinas, que estavam plantadas no prédio Multiuso I há 50 anos, foram derrubadas por conta de cupins, formigas e troncos ressecados. Além disso, elas tombaram para o lado direito em fevereiro e se aproximaram das janelas de vidro do edifício.
As Casuarinas devem ser substituídas por espécies nativas do Cerrado, como a Pacari e a Cega Machado. A troca por estas plantas está prevista para o período de chuvas, que normalmente ocorre entre setembro e outubro. A Munguba será a próxima espécie a ser retirada da UnB, pois besouros atacam as dez árvores da espécie que estão localizadas entre o Instituto de Química e a Medicina Tropical. Mas ainda não há previsão para a derrubada das Mungubas.
COMPENSAÇÃO – A lei de compensação ambiental determina que uma árvore derrubada deve ser substituída por outras trinta. “A Comissão Ecológica influenciará os alunos a tomarem decisões corretas do ponto de vista ecológico e legal. A universidade precisa mostrar que a vegetação é patrimônio”, afirma Manoel Cláudio. Para a comissão, o professor vai sugerir a criação de um Sistema de Informações Geográficas (SIG) para monitorar a vegetação do campus. O SIG é um arquivo visual composto de imagens de satélite.
Além de fazer a troca de carbono por oxigênio, as plantas umidificam o ar e regulam o clima. Na prática, a capacidade de uma árvore reciclar o ar equivale a quatro aparelhos de ar condicionado.