A Universidade de Brasília vai investir cerca de R$ 13 milhões para acabar com os “esqueletos” do campus, see como são conhecidas as obras abandonadas. Os prédios da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Ciência da Informação e Documentação (Face) e do Serviço de Processamento de Roupas- SPR do HUB (lavanderia) já custaram R$ 3,2 milhões à UnB e, agora, serão concluídos. “Nós vamos enterrar esses esqueletos”, garante o decano de Administração, Pedro Murrieta.
O objetivo é não apenas construir a estrutura física dos edifícios, mas também equipá-los para que funcionem imediatamente. “O Hospital Universitário de Brasília (HUB) já ficou um ano esperando aparelhos após a conclusão de algumas obras”, explica Murrieta. “Isso não vai acontecer. Nós vamos terminar.”
Para o estudante de Direito André Gomes, a conclusão da obra do prédio da Face vai melhorar a segurança na região. “Ali, à noite, o perigo é enorme. O local é muito escuro e isolado. Isso facilita a ocorrência de sequestros”, diz.
Formada em direito pela UnB no segundo semestre de 2008, Bruna Mendes afirma que o novo edifício irá melhorar a falta de espaço físico da Faculdade de Direito (FD), que atualmente é dividida com os cursos de Administração e Contabilidade. “A gente sente falta de uma estrutura melhor. Existem poucas salas. O novo prédio da Face vai nos aliviar um pouco.”
O diretor da Face, César Augusto Silva, afirma, no entanto, que a conclusão da obra não vai resolver o problema da falta de espaço da unidade. “A faculdade se expandiu muito nos últimos anos e isso não estava previsto no projeto inicial”, diz. Segundo ele, a criação de novos cursos e centros e o crescimento dos já existentes exigem um local ainda maior. “O novo prédio resolveria o problema no passado, hoje não resolverá mais.”
A construção do prédio da Face comecou em junho de 2006, mas foi paralisada um ano depois por causa da falência da empresa Milênio, responsável pela canteiro de obras na época. O Instituto da Criança e do Adolescente (ICA), localizado no HUB, também foi prejudicado, e a construção do edifício, iniciada em 2005, foi paralisada em setembro de 2007. A obra do ICA foi retomada em janeiro de 2009 e continua em andamento.
LAVANDERIA
Segundo o diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer (Ceplan), Alberto Alves de Faria, a construção do prédio do Serviço de Processamento de Roupas do HUB foi paralisada devido a problemas de incompatibilidade contratual, detectados após auditoria. Quem passa pela área hoje encontra apenas os esqueletos do prédio, a mesma paisagem desde 2007. O reinício da obra é uma das prioridades da UnB.
Outra construção paralisada é a do edifício da Fundação Universitária de Brasília (Fubra), de recursos da própria entidade. Segundo o diretor presidente da fundação, Paulo Celso Gomes, o motivo da paralisação foram problemas estruturais de execução. Cerca de 80% do prédio já estava concluído quando a obra foi interrompida. “O que falta agora é apenas a correção simples de engenharia, como o reforço estrutural na laje”, diz. A previsão é de que a reforma seja reiniciada no final de março e finalizada em setembro.
METAS
A UnB também vai readequar todo o seu sistema de obras. Uma das propostas já aprovada pela comissão responsável pelo assunto é a criação de um grupo permanente de licitação. A equipe trabalhará para evitar que um mesmo órgão fique responsável por várias etapas da realização das obras, como atualmente acontece. “A distribuição de tarefas é muito ruim. A comissão permanente vai propor um reequilíbrio entre esses órgãos”, ressalta o decano de Administração, Pedro Murrieta.
Todas as construções, incluindo as futuras e as que estão em andamento, também serão reprogramadas. A comissão de obras está relacionando prioridades, conforme a demanda da universidade. Cerca de 150 locais estão na lista, que será encaminhada para análise da Reitoria na próxima semana.
SITUAÇÃO DAS OBRAS
Dentre as prioritárias, estão as obras do Reuni, programa de expansão das universidades federais brasileiras, que já possuem R$ 53 milhões garantidos para a execução. O programa prevê a construção de um novo bloco de salas de aula entre Instituto de Biologia (IB) e a Faculdade de Ciências da Saúde (FS). Também estão no projeto a reforma dos laboratórios do Instituto de Física (IF) e a construção da nova Casa do Estudante Universitário (CEU), com capacidade para 600 moradores.
A obra do Instituto Central de Ciência (ICC), que está em fase de andamento, também é essencial. “Nós temos situações no ICC que devem ser urgentemente equacionadas”, afirma Murrieta. Segundo o decano, a meta é reformar as instalações para o bom funcionamento do Minhocão. “Ao longo desses anos, o ICC teve um serviço de manutenção pouco planejado e muito mal feito. Nós vamos tentar reverter esse quadro”, diz. Algumas reformas, como a dos banheiros, já estão concluídas. Está prevista, ainda, a recuperação de 16 salas de aula e de cinco anfiteatros.
Outra reforma em andamento é a do Restaurante Universitário (RU). Os banheiros e vestiários já estão em fase de conclusão. A próxima etapa será reformar as cozinhas. A decana de Assuntos Comunitários, Rachel Nunes, destaca a importância da obra. “Nós encontramos o RU em condições muito precárias. Esse trabalho vai mudar a qualidade de vida dos funcionários do restaurante”, diz. O RU está fechado para atendimento ao público e irá retomar atividades no dia 23 de março, somente como refeitório. Só a partir de abril, voltará a produzir refeições.
MORADIA ESTUDANTIL
A reforma da Casa do Estudante Universitário, estimada em pouco mais de R$ 2 milhões, está prevista para começar este ano. “A nossa preocupação é de que os alunos tenham uma qualidade de vida digna. Foram muitos anos de abandono”, afirma Rachel. Os prédios terão instalações elétricas e hidráulicas reformadas, além da troca de pisos e pias dos apartamentos.