A Universidade de Brasília suspendeu o contrato com a empresa Anhaguera Engenharia, contratada para fazer a obra do Instituto da Criança (ICA). A decisão foi tomada nesta quinta-feira (21) pelo reitor em exercício, João Batista de Sousa. De acordo com orientação dada pela assessoria jurídica da UnB ao vice-reitor, o acidente que matou os operários Lourival Leite de Moraes, Nelson Rodrigues da Silva e Raimundo José da Silva aponta fortes indícios de descumprimento das normas de segurança previstas em contrato.
Na prática, isso significa que os pagamentos à Anhanguera serão suspensos e que os operários não voltarão ao local da tragédia até a conclusão de investigação interna da UnB. Caso a sindicância confirme negligência grave da empresa, a universidade romperá o contrato. “Tudo isso está previsto no contrato. Se a empresa falha de maneira grave, a contratante pode rescindir o contrato”, explicou o procurador jurídico da UnB, Davi Diniz.
Nesta quinta-feira, a Polícia Civil iniciou as investigações para apurar as responsabilidades do acidente. A polícia trabalha com a hipótese de homicídio culposo, que prevê pena de até três anos de detenção. O delegado Reinaldo Villar, da 2ª Delegacia de Polícia, esteve no local do acidente e constatou a revolta dos operários com a empresa. “Eles se queixaram que as reclamações eram constantes”, contou. A equipe da 2ª DP colheu os depoimentos de dois engenheiros da Anhanguera: Danilo Almeida Milhomens e Jader Rafael Vieira. De acordo com eles, os trabalhadores estavam fazendo a contenção de segurança necessária para o prosseguimento da obra.
O mestre de obras da UnB, Jozafá Alves Carneiro, que suspendeu a obra na última quarta será ouvido pela polícia nesta sexta-feira. Minutos antes do buraco desabar, Jozafá fez fotos dos trabalhadores no local.