A Universidade de Brasília vai sediar esta semana o I Congresso de Saúde Mental do Cerrado, prostate em parceria com o Ministério da Saúde e com o Governo do Distrito Federal. O encontro começa na quarta-feira, about it 25 de março, rx e vai até o sábado, 28, no Auditório da Finatec. Será o principal foro de debates do Centro-Oeste sobre a implementação da Reforma Psiquiátrica, estabelecida pela lei federal 10.216, de 2001.
A Reforma Psiquiátrica tem como principal missão mudar o foco do tratamento de transtornos psiquiátricos, acabando com os manicômios e tratando os pacientes em Centros de Assistência Psicossocial (Caps). Uma missão particularmente difícil no Distrito Federal, já que é a segunda unidade da federação com menor cobertura de assistência psicossocial, segundo dados do Ministério da Saúde, à frente apenas do Amazonas.
Com apenas seis unidades do tipo em funcionamento, o DF deveria ter, pelo menos, 20, de acordo com o professor Ileno Izídio, do Instituto de Psicologia da UnB e organizador do congresso. Hoje existe uma fila de espera de 2,5 mil pessoas no Instituto de Saúde Mental. O primeiro passo para mudar o quadro é a capacitação dos profissionais de saúde para tratar os usuários do sistema conforme a Lei de Saúde Mental. “A estrutura que temos hoje é composta por médicos tradicionais, com procedimentos biológicos, sem uso da psicologia, com internação e exclusão social dos pacientes”, explica o professor.
DEBATES – Os principais temas do congresso são Álcool e Drogas; Tratamentos de Crises; Infância e Adolescência e Redes de atendimento. O encontro também vai abrigar outras três atividades relacionadas: a VII Jornada sobre Psicopatologia e Linguagem (do Instituto de Psicologia), o lançamento do Fórum Permanente de Políticas Públicas em Saúde Mental do DF e Entorno, e o I Encontro sobre a Escola de Saúde Mental do Cerrado. A Escola de Saúde Mental é um projeto do Ministério da Saúde, cujo objetivo é tornar-se um centro de referência para os profissionais da área. A primeira unidade, nos moldes propostos pela Reforma Psiquiátrica, já foi implantada no Rio de Janeiro. A de Brasília seria a segunda.
A capacitação visa, principalmente, o tratamento de pacientes sem a necessidade de internação, de modo que eles não sejam excluídos do meio social. O professor Izídio defende que a internação só deve acontecer nos casos que o paciente ameace agredir a si mesmo ou a outros. Segundo ele, nos centros de assistência psicossocial, o paciente será atendido, medicado quando for necessário e tratado de forma contínua, mas voltando para casa todos os dias.
No Congresso, além de médicos, professores, especialistas, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, estarão presentes autoridades como o coordenador da área ténica de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel; o secretário de Saúde do DF, Augusto Carvalho; e a secretária de Saúde de Goiás, Irani Ribeiro. Também serão apresentados os trabalhos dos alunos formados no Curso de Especialização de Saúde Mental da UnB, que treinou 50 profissionais da área que trabalham em hospitais e centros do DF e Entorno.
Quem quiser participar deve se apressar, pois 250 das 300 vagas disponíveis já foram preenchidas. Qualquer pessoa da comunidade pode se inscrever. Os preços de inscrição (diferenciados para professores, estudantes e profissionais) e a programação estão no site www.caep.unb.br. O telefone para tirar dúvidas é 3273-8894.