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Brasília

UnB Planaltina inaugura centro de apoio à agricultura familiar

Arquivo Geral

27/08/2009 0h00

Mais de 40 produtores do Distrito Federal e Entorno começam a ser treinados para atuar de forma profissional no mercado local da agricultura ecológica. O primeiro passo foi dado nesta quarta-feira, 26 de agosto, com a inauguração do primeiro Centro de Apoio à Agricultura Urbana e Periurbana (CAAUP) do Centro-Oeste na Faculdade UnB Planaltina.


A primeira turma do curso sobre Segurança Alimentar e Nutricional e Inserção em Mercados Locais faz parte de um grupo de 732 famílias de oito assentamentos e pré-assentamentos do DF, Unaí (MG), Formosa (GO) e Água Fria (GO) que serão capacitadas. A iniciativa é uma ação conjunta da UnB com o  Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).


“A expectativa é que o centro contribua para a consolidação da agricultura familiar no Brasil fundamentada no desenvolvimento social e ambiental, com a premissa de produzir alimentos saudáveis à população”, avaliou o ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Filho de fazendeiros do Vale do Jequitinhonha, ele disse que a vida no campo lhe  despertou a atenção para as injustiças e desigualdades sociais. “Dois fatos me marcaram”, revelou ele, “a fome e a seca”.


A proposta do CAAUP surgiu a partir do Projeto Tecendo Redes Agroecológicas de Agricultura Periurbana em Assentamentos e Pré-assentamentos do DF e Entorno, desenvolvido pelo Núcleo de Reforma Agrária da UnB. “Só o conhecimento liberta”, assinalou o representante da Via Campesina, Ciro Correia, parafraseando o educador Roberto Freire. Para ele, o avanço das monoculturas escraviza a população, esgota as reservas naturais e concentra riquezas. “Não há estratégias comuns para integrar agricultores familiares no Centro-Oeste. Precisamos desenvolver tecnologias próprias e não copiá-las do Sul ou do Nordeste”, apontou.


O representante do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Francisco Caporal, foi mais além e disse que o campus tem vocação para ser referência em pesquisa e ensino para a agricultura familiar brasileira. “O curso que inicia as atividades do centro tem duração de 32 horas/aula e vai ensinar o que é segurança alimentar, como funciona o mercado local da agricultura ecológica, a economia solidária e como calcular o preço dos produtos. “Nossa ideia é transformar o campus em espaço de produção de conhecimento para a sociedade. O centro agroecológico vai libertar os produtores do monopólio de sementes que existe no mercado agrícola”, enfatizou a professora da UnB Planaltina, Mônica Molina.


O reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, enfatizou que a ideia é formar profissionais conscientes do seu protagonismo na sociedade. Disse ainda que a universidade organiza e constroi conhecimento de alto padrão em prol de melhorias para a população. “O conhecimento só faz sentido se tiver compromisso social pautado na busca pela cidadania, justiça e solidariedade”, disse. Para o diretor da Faculdade UnB Planaltina, Marcelo Bizerril, a expansão da universidade traz melhorias e ajudar a consolidar o papel da instituição na sociedade. “Esse tipo de iniciativa renova as expectativas para a educação ambiental. Vemos que é possível rever as relações entre seres humanos e a natureza”, afirma.

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