As universidades federais não investem em manutenção de equipamentos. Isso acontece tanto com computadores como com microscópios e câmaras de esfriamento para armazenagem de reagentes químicos. A maioria das instituições pratica quase que exclusivamente a manutenção corretiva, viagra approved ou seja, website só depois que o aparelho quebra.
“Nesse quesito, as universidades estão na década de 1950. O que é um absurdo, tendo em vista os orçamentos enormes que administram”, critica Rui Muniz, presidente da Associação Brasileira de Manutenção (Abraman). Ele participou do 3º Encontro Nacional de Manutenção das IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), na segunda-feira, 27 de julho, na Universidade de Brasília. As atividades reuniram engenheiros, técnicos de informática e servidores envolvidos na manutenção dos equipamentos da universidade.
CUSTO – Muniz explicou que esperar uma máquina quebrar para só depois agir custa caro. Segundo dados da Abraman, empresas privadas chegam a destinar 30% de seu faturamento para consertos quando não estocam peças de reposição ou não capacitam mão de obra para manutenção.
Os empresários já entenderam que investir na manutenção preventiva vale a pena. Segundo pesquisa de 2007 da Abraman, o custo médio com manutenção no Brasil gira em torno de 4% do faturamento das empresas. “Elas perceberam que a manutenção impacta nos resultados. Por exemplo, quanto mais tempo a produção de produtos parar, maior será prejuízo” disse Muniz, que também e engenheiro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e membro do Conselho Permanente de Manutenção das IFES.
A realidade nas universidades públicas É diferente porque não há uma visão clara do impacto da falta de manutenção preventiva nas pesquisas e no ensino. As instituições enfrentam problemas com a defasagem na formação de profissionais, as condições precárias de trabalho e o desrespeito a normas técnicas. Também há dificuldades com a falta de ferramentas apropriadas.
CAMPUS – A Universidade de Brasília compartilha o quadro crítico de manutenção das IFES. Segundo levantamento do Centro de Manutenção de Equipamentos Científicos, o CME da UnB, 82% dos reparos feitos são de manutenção corretiva.
A defasagem do sistema que controla a manutenção de equipamentos agrava a situação. “É da década de 90. Isso trapalha o planejamento, gera custo elevado e maior tempo de indisponibilidade de aparelhos para os servidores”, explicou o diretor do CME, Francisco Assis.
Atualmente, a universidade possui cerca de 152 mil equipamentos eletrônicos. São geradas mil ordens de serviços para reparos por mês. “Há um grande número de chamadas emergentes”, explicou Assis. A falta previsão de reposição de materiais, quadro de pessoal limitado e pouco espaço são outros problemas enfrentados na rotina do CME. “Nosso espaço e de apenas 624 metros quadrados. Não é suficiente para abrigar os trabalhadores e ainda um monte de aparelhos para manutenção”, explicou o diretor do CME.
O Centro de Processamento de Dados (CPD) e a Prefeitura do Campus também buscam soluções para o problema. Durante o encontro, representantes das duas unidades reclamaram da dificuldade em manter servidores. “A gente treina o pessoal, mas logo eles acabam saindo. Os salários não são atrativos”, relatou Marcelo Ladeira, diretor do CPD.
Segundo o presidente da Abraman, não existe política que regule a manutenção nas universidades públicas. “É o que estamos tentando fazer agora, junto ao MEC”, afirmou Rui Muniz.