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Brasília

UnB monitora redes após convocação de ato contra “comunismo”

Arquivo Geral

29/10/2018 13h12

Foto: Rayra Paiva Franco

Tainá Morais
redacao@grupojbr.com

Os corredores do Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB) amanheceram com rastros de manifestação após o resultado das Eleições 2018. Cartazes, adesivos e até pichações que dizem “vote pela família” ou “quem vota em corrupto, corrupto é” foram pregados pela instituição. Alunos dizem que aulas de algumas disciplinas foram suspensas por conta de um ato que está marcado para acontecer na tarde desta segunda-feira (29), a partir das 17h. A UnB não confirma cancelamentos oficiais.

Segundo a Administração Superior da UnB, a instituição está “monitorando posts nas redes sociais sobre potenciais transtornos à rotina da Universidade, em razão dos resultados da eleição, e tomando as medidas cabíveis para garantir segurança e acolhimento à comunidade universitária”. Apesar disso, diz que “não há previsão de suspensão das aulas”.

Após vitória de Jair Bolsonaro (PSL) como presidente da República, mensagens convocando para protesto na universidade contra “comunismo na instituição” passaram a circular nas redes sociais.  Mais cedo, a instituição estava repleta de adesivos do candidato, que foram removidos nas primeiras horas da manhã.

Veja imagens:

Estudante de letras Andressa Araújo, 19 anos, conta que houve agressões físicas por conta da decisão e opiniões políticas pela manhã. “Recebemos uma mensagem de um dos nossos professores informando das agressões. Ele também nos pediu cautela”, revela.

A estudante diz que não compactua com as ideias e propostas do presidente eleito. “Sou contra o ensino à distância para crianças e contra a privatização. Por mais que ele fale em privatizar, eu não sei o que ele considera mensalidade, não sei o que considera faculdade particular. Por isso, sou contra a tudo o que ele diz, principalmente quando se trata da comunidade LGBT e ditadura militar”, explica.

Andressa conta que casos de agressões teriam sido registrados na UnB na manhã desta segunda-feira. Foto: Rayra Paiva Franco

Além de lidar com opiniões opostas dentro da instituição, ela diz que a tensão se estende à casa. Andressa confessa que ficou chateada pela mãe ter votado no candidato contrário às suas convicções, porém, a respeita. “Todos lá de casa são pró-Bolsonaro. Minha mãe até perguntou se eu não havia ficado chateada mas, na verdade, eu fiquei por ela votar nele e não pela opinião formada”, enfatiza a estudante.

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