A greve mais longa da história da Universidade de Brasília continua por tempo indeterminado. Com 113 dias, a paralisação contra o corte da URP foi mantida pela ampla maioria dos servidores técnico-administrativos em assembleia na manhã desta terça-feira, 6 de julho. As áreas mais prejudicadas pelo movimento são a Biblioteca, o Almoxarifado, o Serviço de Apoio Técnico, e as secretarias acadêmicas.
A categoria alega que o fim do movimento depende de uma posição do Supremo Tribunal Federal sobre o pedido de liminar que assegura o pagamento dos 26,05% para todos os servidores técnicos. O início do recesso dos ministros no último 2 de julho, no entanto, promete novos capítulos para a novela jurídica. Com as férias da relatora Carmem Lúcia, o processo volta para o plantão na presidência da corte. A expectativa é de que o documento fique parado por pelo menos mais 30 dias, período de duração do recesso. O presidente de plantão, ministro Ayres Brito, já havia devolvido a ação a Carmen Lúcia sob a alegação de que o assunto é complexo. A devolução ocorreu em maio, quando a ministra pediu a redistribuição do processo. “Tudo pode acontecer, mas habeas corpus e processos sobre as eleições são prioridade no STF”, comentou o advogado do Sintfub, Valmir Floriano.
MAIORIA
Dos cerca de 150 servidores que participaram da votação na praça Chico Mendes, apenas cinco levantaram os braços para pedir a suspensão da greve. Outros seis prefeririam não votar. A ampla maioria reafirmou a posição de que o fim do movimento só será debatido após a decisão do STF. “A URP já deixou de ser paga a 585 pessoas. Não há elementos que justifiquem a suspensão da greve”, afirmou o servidor Antônio Guedes, coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação UnB (Sintfub).
Quem defendeu a suspensão da paralisação, como o servidor da Faculdade de Tecnologia Marco Lopes, acabou vaiado. “Não adianta discursos inflamados, temos que usar a razão para escolher as melhores estratégias de luta”, afirmou ele, ressaltando que a greve não faz pressão contra o STF. “A greve faz efeito sim, pois o pagamento aos antigos só ocorreu por conta da mobilização da categoria”, rebateu o servidor Mauro Mendes, do Sintfub.
Apenas os técnicos que entraram até outubro de 2008 receberam a URP de junho, mas a Advocacia-Geral da União já determinou o corte para todos os servidores. Os novatos já não recebem os 26,05% desde fevereiro.
NEGOCIAÇÃO
Nova assembleia volta a debater os rumos da greve na próxima terça-feira, 13 de julho. Até lá, o Comando de Greve vai traçar estratégias para manter o movimento deflagrado em 9 de março. “Vamos pedir que a administração da UnB e o senador Cristovam Buarque interfiram junto ao STF durante o recesso”, adiantou o servidor Rogério Marzola. “A greve é cansativa, mas temos que ter paciência para lugar até o fim”, completou o funcionário do Instituto de Química.
A reitoria propôs, nesta segunda-feira, 5 de julho, a formação de uma mesa de negociação para minimizar os impactos da URP sobre os salários dos servidores. Serão convidados para o debate representantes dos sindicatos dos técnicos e dos professores, da administração e do Ministério do Planejamento.