Vinícius Borba
vinicius.borba@jornaldebrasilia.com.br
O fim da greve dos professores da Universidade de Brasília (UnB) pode durar pouco tempo, se depender de um grupo dissidente da decisão. Eles articulam a realização de uma nova assembleia para definir o destino da mobilização, encerrada na última sexta-feira. Na ocasião, o ponto de pauta sobre o fim da paralisação foi incluído na reunião, que tinha como objetivo discutir apenas o processo eleitoral para a reitoria. Estudantes e professores que discordam do fim da greve falam de “golpe” contra o movimento grevista nacional. Hoje haverá manifestação.
Ontem, professores da instituição que compõem o Comando Local de Greve (CLG) se mobilizaram para correr contra o tempo. Eles cumpriram a exigência regimental do estatuto da Associação dos Docentes da UnB (AdUnB), reunindo mais de 300 assinaturas de professores para realizar nova assembleia e tentar o cancelamento da decisão. Hoje, eles também participam das assembleias dos CLGs estudantil e de técnicos administrativos, pela manhã, e devem promover novos atos até que a AdUnB aprecie o pedido da nova assembleia.
A expectativa é de que até sexta-feira, seja feita a nova reunião. O grupo de professores discorda da decisão tomada na semana passada, quando por 130 a 115 votos, a maioria dos professores participantes da reunião definiu o fim do movimento grevista, aceitando a proposta do Governo Federal, que ofereceu um aumento de 25% a 40%, considerado insuficiente pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). Os docentes exigiam ainda a diferença de 5% entre os níveis. Também foi criticada pelo Andes-SN a proposta de reestruturação que dificultaria a chegada do professor universitário ao último nível da carreira.
Prejuízo
Para Patrícia Pinheiro, membro do Comando Local de Greve, a estratégia da diretoria da AdUnB teria sido um prejuízo maior para a luta pela melhoria da educação nas universidade federais do País. “Lamentamos a decisão precipitada daquela parte dos professores que participou de uma assembleia que não tinha por fim aquela discussão. Tanto que muitos professores interessados no debate nem estiveram presentes. Uma greve deste porte não é algo irresponsável ou gratuito, não é pleito pessoal de ninguém, é pela melhoria da educação no País como um todo”, afirmou.
Para os estudantes que compõem o Comando Local de Greve Estudantil, a decisão foi um retrocesso depois de quase 90 dias de greve. Eles fizeram um ato de mobilização, indo da AdUnB até a Reitoria, para expressar indignação pela decisão. Para Lucas Brito, do CLG Estudantil, o ato enfraquece o movimento. “Não queremos passar 89 dias em greve para depois não alcançar melhoria alguma. Não queremos greve por tempo infinito, mas também não aceitamos a estrutura precária na educação universitária que temos visto, ou mesmo esse plano de expansão das universidades federais sem recursos que vem acontecendo. A precarização do ensino público é uma realidade”, afirmou. Lucas se refere ao programa de Reestruturação e Expansão das Universidade Federais (Reuni), do Ministério da Educação.
Para Lucas, há diversos problemas em campus como os da UnB do Gama e de Ceilândia, onde faltam estrutura básica, segurança e até professores.