A Universidade de Brasília não participará da primeira edição do vestibular unificado em outubro deste ano. Apenas em 2010, hospital o novo Enem integrará o processo de seleção dos alunos que começam a graduação no ano seguinte. A decisão foi tomada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão na tarde de quinta-feira, 7 de maio, depois de quase quatro horas de discussões.
O placar foi de 19 votos favoráveis ao adiamento da participação no projeto do Ministério da Educação e sete contra. Outros sete conselheiros se abstiveram. A forma de adesão ao projeto em 2010 não ficou definida. Os conselheiros optaram por deixar para depois a discussão sobre a maneira de como o Enem será integrado ao processo seletivo da UnB. Ainda não está estabelecido um calendário para as novas discussões.
O PAS e as cotas para negros serão mantidos. Existe o consenso de que estes projetos são conquistas da universidade e, portanto, devem continuar. “Partiremos agora para uma discussão técnica sobre formas de participação. O importante é que a UnB integre o sistema nacional, que se configura em um esforço para melhorar as formas de acesso ao ensino superior”, afirma o reitor José Geraldo de Sousa Jr.
O reitor manifestou, em vários momentos, a vontade de que o sistema da instituição fosse definido durante o encontro. “O que foi apresentado é bastante razoável. Foi uma discussão muito importante. Quando uma política pública é implementada ela vem para garantir direitos”, acrescenta José Geraldo, que chegou a dizer que seria inaceitável a UnB não se posicionar no dia. José Geraldo considera importante a participação da UnB na proposta de unificação do vestibular. “Essa discussão mobilizou toda a sociedade, o que só reforça a relevância dela.”
O assunto dividiu opiniões durante a reunião. “A universidade não pode ficar a reboque, tem de liderar esse debate até pela qualidade dos processos seletivos que realiza. Precisamos dar uma sinalização objetiva à sociedade”, defendeu o professor da Faculdade de Tecnologia Ivan Camargo, que também esperava que a forma de adesão fosse definida na reunião.
Durante todo o debabe nenhuma posição apresentada foi favorável a adesão do novo Enem como única maneira de seleção. Os conselheiros manifestaram ainda a posição das unidades acadêmicas. O instituto de Letras, Ciências Políticas, Ciências Humanas e UnB Ceilândia foram contra o vestibular unificado. Enquanto que o de Física, de Relações Internacionais e as faculdades de Medicina, Agronomia e Medicina Veterinária e UnB Planaltina estiveram entre os simpatizantes.
FORMAS DE ADESÃO
Durante todo debate, dois modelos de adesão foram recorrentes. A proposta apresentada pela Câmara de Ensino de Graduação, que consiste na utilização do novo Enem na nota final do candidato a uma vaga do vestibular por meio de um percentual – de 5% a 10%, foi a mais apoiada. (Leia mais em Proposta defende utilização do Enem na nota final da prova).
“Esse é um modelo prudente em que a UnB não abre mão do vestibular, já que o maior percentual ficará com a nota das provas feitas pela instituição. E, ao mesmo tempo, a universidade coleta dados para avaliar o Enem”, disse o professor do Instituto de Tecnologia, Adson Ferreira da Rocha. A Faculdade de Medicina aprovou a proposta, segundo o professor da unidade Joel Veiga. Contudo, ele ainda considera a idéia de as notas do Enem complementarem o resultado do vestibular conservadora.
A segunda proposta seria estabelecer uma cota de vagas para o novo Enem, sem prejudicar as que já estão definidas para o PAS e as cotas para negros. A idéia foi apresentada pela professora Andrea Maranhão, do Instituto de Ciências Biológicas. Para ela, a reserva de vagas seria uma forma da UnB participar do vestibular unificado de maneira mais efetiva. “Na proposta anterior (do uso do Enem na nota final do candidato), perdemos a possibilidade de avaliar o sistema e os problemas colocados, como a mobilidade”, diz.