A Universidade de Brasília adiou para o dia 7 de maio a decisão sobre a participação no vestibular unificado proposto pelo Ministério da Educação. O tema foi debatido na tarde de quinta-feira, patient 23 de abril, view durante reunião do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UnB. Os conselheiros demonstraram cautela com o novo Enem, como é chamado o processo, e pediram mais tempo para avaliarem o projeto. Em quase três horas de reunião, não houve opiniões divergentes sobre o assunto.
As críticas em relação ao projeto do MEC concentraram-se, sobretudo, no curto prazo estabelecido para a discussão e nos diversos pontos indefinidos. A proposta ainda não está fechada. Até o momento, existem apenas dois documentos oficiais sobre o projeto. O primeiro deles foi apresentado pelo ministro Fernando Haddad aos reitores durante a reunião do Conselho Pleno da Andifes no dia 6 de abril. O segundo é um termo de referência com 28 esclarecimentos.
“O maior problema na avaliação do projeto é a falta de detalhamento. Isso nos impede de emitir uma opinião”, afirmou a professora do Departamento de Música Maria Isabel Montandon. Ela e outros quatro docentes participaram de comissão, montada há dez dias, para estudar a proposta do MEC. O grupo considerou positivo no novo Enem a maior mobilidade acadêmica e a redução dos custos aos alunos que pretendem concorrer a vagas em mais de uma instituição. Porém, criticaram a possibilidade de mais de uma opção de curso, devido ao risco de aumentar a evasão, e a hierarquização das instituições federais, com possível estigmas sobre os egressos.
As indefinições causam dúvidas quanto à proposta. “No Instituto de Física fizemos reunião do colegiado sobre o tema, mas não conseguimos debater o assunto por falta de informação”, afirmou a professora da unidade, Vanessa Carvalho.
Da Faculdade de Tecnologia, o docente Ivan Camargo demonstrou cautela. “Nosso histórico de mudança é de prudência, de debates de três anos”, disse. “Adoraria discutir o assunto em 2010, mas acho impossível o Cepe aprovar o projeto esse ano.”
IMPASSES – Camargo, entretanto, destacou a importância de a UnB participar ativamente do debate e se posicionar o mais rápido possível em resposta às expectativas da sociedade. O reitor José Geraldo de Sousa Jr. ressaltou a relevância da discussão e a iniciativa do MEC em levar o tema à debate. “O vestibular unificado está na agenda nacional, que a nossa decisão não seja por inércia”, advertiu. “Precisamos levar em conta o quão valioso é a experiência para participar do processo, não vamos ficar a reboque.”
José Geraldo afirmou, ainda, que a instituição não abrirá mão de políticas de ingresso, como o PAS e as cotas. “O ministro Fernando Haddad disse que o novo Enem não impede essas políticas”, lembrou. A necessidade de aumentar os recursos para assistência estudantil aos alunos de outros estados que ingressarão na instituição foi outra preocupação levantada pelos conselheiros. E, de acordo com o MEC, os recursos para o setor passarão de R$ 200 milhões para R$ 400 milhões nas instituições que aderirem ao novo Enem.
Com o intuito de fomentar o debate, será realizado um seminário sobre o projeto do MEC no dia 29 de abril, com a participação de toda a comunidade acadêmica. No dia seguinte, o Cepe discute novamente o tema. O Conselho Universitário também fará reunião no dia 24 de abril para debater o assunto, mas sem deliberação. A decisão será tomada pelo Cepe. O reitor participará ainda de encontro na Andifes na próxima segunda-feira, 27. “Temos um fórum instalado para uma decisão mais madura”, disse José Geraldo.