O corpo de Isaque Nilton Alves Boschini foi velado no Templo Ecumênico no Cemitério Campo da Esperança. Dor, tristeza e pedidos de justiça marcaram o adeus de parentes, amigos e familiares ao jovem, morto na QE 40 do Guará após reclamar do uso de drogas no local. Essa é a terceira semana em que crimes bárbaros chocam o DF. Na semana passada, o estudante José Chaves foi morto por policiais na BR-070, por engano. Na semana anterior, a professora Christiane Fernandes foi assassinada no Parque da Cidade.
No velório, junto ao corpo de Isaque estava um desenho feito pela filha Isadora, de 7 anos, que anunciava o amor pelo pai. Ela desenhou a família e escreveu a frase “Eu te amo”. A menina não foi levada ao velório.
Durante o sepultamento, a emoção tomou conta de quem conviveu com Isaque. Abalada, a mãe do rapaz, que a todo o momento era amparada por familiares, reclamou das drogas e pediu justiça. “Essa droga está destruindo os nossos jovens”, lamentou. Entre as orações de despedida, uma salva de palmas dos presentes homenageou o jovem.
Companheira da vítima há dez anos, sendo sete de casados, Gabriella Araújo, 25 anos, definiu a morte do marido como uma covardia. “Eu presenciei tudo pela janela. Eles não podiam ter feito isso com ele. A revolta e a indignação são muito grandes. Isaque era um excelente pai”, ressalta.
Mudança
Gabriella conta que não pretende mais morar no local, assume o medo que tem da região. “Os usuários de droga não nos deixam em paz, e o receio de ficar ali é grande. Agora, o desejo é que a justiça seja feita, e vamos entrar com um processo para que se cumpra isso”, adianta a mulher da vítima.
Cunhado de Isaque, Thiago Araújo, 27 anos, também é professor de Muay Thai e conhece o suposto agressor da vítima. Segundo o lutador, Moisés formou o seu atual mestre de artes maciais. “Os golpes desferidos tinham a intenção de matar o meu cunhado, e foram fatais. O Isaque apanhou como uma criança e não teve como reagir. Eu conheço o Moisés há anos e tudo que ele fez não foi por um momento de loucura, pois ele, de doido, não tem nada”, dispara.
Emocionado, Araújo ressalta que o cunhado abriu mão da juventude para trabalhar e formar uma família. Segundo o professor, Isaque tinha o objetivo de zelar por seu lar. “O governo trata o vício das drogas como um problema social e de saúde, enquanto na verdade as drogas tiraram a vida de um pai de família que foi espancado até morrer. Aquela região não serve para ninguém morar”, destaca.