O aconchego de envelhecer com amparo e dignidade chegou depois de muito trabalho e dedicação. Alfaiate nota dez, como gosta de dizer, José Leocádio dos Santos, 92 anos, lembra de pouca coisa do passado. Embora falte lucidez, sobra experiência de vida. O maranhense passou 16 dias no Hospital Regional do Guará e esperava uma vaga em um abrigo, conforme mostrou reportagem do Jornal de Brasília de ontem. Debilitado, ele foi levado à unidade de saúde desnutrido e desidratado. Depois da alta médica, há uma semana, Leocádio não tinha mais condições de morar na casa onde ficava sozinho, no Guará. A fraqueza e o diagnóstico de hanseníase fizeram com que ele passasse a morar na enfermaria do hospital.
Longe dos parentes, que ficaram na cidade de Rosário (MA), Leocádio foi acolhido ontem no Lar dos Velhinhos São Francisco de Assis. Uma nova vida para o quase centenário, que foi também diagnosticado com princípio Alzheimer. Lá ele vai dividir o espaço com outros 64 companheiros com idades entre 60 a 108 anos.
A família de Leocádio era formada pelos pais e cinco irmãos. Apesar de insistir que fala com os parentes por carta e telefone, pessoas próximas a ele acreditam que os irmãos já tenham partido.
Novo lar
O alfaiate já sabe que agora tem um novo lar, mas por causa da ausência de lucidez, não compreende. “Agora vou morar aqui? Preciso ir buscar minhas coisas então. Minha casa fica ali atrás do supermercado. Eu moro só”, tenta explicar.
Leocádio veio para Brasília, segundo ele, aos 34 anos. Aos seis anos de idade um diagnóstico médico revelou que o homem tinha complicações na perna direita, que ficou mais curta.
Das mais de nove décadas vividas, ele tem saudade da mãe, da família, dos amigos e até mesmo de viajar pelo Brasil. “Já fui para Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Paraíba. Sempre morei com minha família lá no Maranhão, mas quis melhorar a situação de alfaiate. Foi quando a família desmanchou”, conta.
Ajuda
A primeira a buscar ajuda para Leocádio foi a dona da casa onde ele morava, Anice de Fátima.
Ela e a assessora de imprensa Francisca Silva correram atrás para encontrar um abrigo para que o alfaiate saísse do hospital.
O aposentado vive com um salário-mínimo.