
Quanto vale o seu tempo? Você pagaria para ter uma hora a mais no seu dia? Já parou para pensar como você administra o seu tempo? Perguntas como estas se tornam cada vez mais corriqueiras num cenário em que as horas e os minutos são contados nos dedos. Um estudo do Ibope Inteligência revelou que um terço dos brasileiros estariam dispostos a comprar mais tempo para o seu dia. O feito, ainda que historicamente pareça impossível, figura como um dos principais ‘sonhos de consumo’ do ser humano.
A pesquisa apontou que, em média, o brasileiro pagaria R$ 50 por uma volta a mais no ponteiro do relógio. Os homens, porém, estariam dispostos a abrir mão de uma cervejinha gelada e um ‘happy hour’ com os amigos e gastar um pouco a mais por uma hora extra no dia: R$ 85 por mais 60 minutos.
Para o professor, doutor em sociologia do trabalho da Universidade de Brasília (UnB), Sadi Dal Rosso, 67 anos, a disponibilidade de tempo da maioria das pessoas pode estar também ligada ao grau de educação escolar que elas têm. “Se morássemos em um país que todos tivessem a chance de concluir o ensino médio, as condições de trabalho seriam melhores e gradativamente menos trabalhadores teriam que se expor a jornadas de trabalho muito além daquilo que é considerado ideal perante a lei. O Brasil está numa escala média de países com jornada de trabalho acima das oito horas por dia”, pontuou.
Para atingir metas pessoais e conseguir destaque no mercado de trabalho, o estudo é o maior passatempo para alguns. “Estudo de manhã e à noite, e trabalho à tarde. Ultimamente tenho dormido seis horas, no máximo, por dia”, disse o servidor público Raphael Damasio, 30 anos. Estudos
Obstáculos
Em um momento de folga, Raphael, a esposa e a filha aproveitam para dar um passeio no Parque da Cidade. “Há dois meses não conseguíamos vir ao parque por falta de tempo. Tínhamos o hábito de frequentar quase todos os finais de semana, mas a rotina de trabalho em escala altera toda a nossa programação e fica difícil de regrar o nosso tempo”, disse a mulher dele, Nayara Jessica Silva, 22 anos.
Levar a vida a dois e dar atenção à família é outro obstáculo para o casal. As horas de lazer têm de ser bem planejadas, principalmente quando se tem filho pequeno.
Internet não é aliada
Uma das maiores invenções do homem e símbolo da geração Y, a internet promoveu mudanças imensuráveis no cotidiano do ser humano. Afinal, quantas horas do dia você fica conectado no mundo virtual? Estudos indicam que passar horas no mundo virtual e o uso abusivo de aplicativos possam até mesmo prejudicar o desempenho profissional e a chamada relação interpessoal.
“Vivemos nas coordenadas de tempo e espaço e que nos dão o sentimento de disponibilidade para determinadas tarefas. Os meios de comunicação, em especial a internet, utiliza-se do imediatismo a tal ponto que podemos acompanhar um evento esportivo na Rússia em tempo real. A simultaneidade acelera cada vez mais e consequentemente produz efeitos no nosso dia a dia”, afirma o professor Dal Rosso.
Troca
Gastar menos tempo na frente do computador bisbilhotando páginas de fofoca ou jogando aquele jogo que não agrega nada ao seu cotidiano pode ser aquela horinha a mais que você tanto procura. E esse tempo pode ser aproveitado de inúmeras formas: uma corrida na esteira para perder quilinhos indesejados, ajudar o filho numa lição de casa que ele tem dificuldade, arrumar o quartinho bagunçado ou até mesmo passar mais tempo com a família. Pequenos gestos como estes podem resultar em experiências extremamente benéficas.
Sono
O começo disso tudo pode estar no tempo em que você dorme. Sabemos de cor e salteado que o corpo humano descansa, satisfatoriamente, com oito horas de sono, certo? Mas há quem diga que precise de nove ou até dez horas de repouso para estar inteiro no outro dia, assim como existem aqueles que necessitam apenas de quatro ou cinco horas para repor as energias.