Jaruzelski, hoje com 86 anos, sempre disse que impôs a lei marcial de 1981 justamente para evitar essa temida intervenção soviética, que significava um possível massacre e um freio às aspirações de liberdade do povo polonês.
Segundo o jornal “Rzeszpospolita”, o Instituto para a Memória Nacional (IPN, sigla em polonês), uma entidade pública encarregada de investigar os crimes cometidos durante a etapa comunista e nazista, tem intenção de publicar os documentos onde está revelada a situação.
O ex-líder comunista fala da lei marcial como um “mal necessário” para evitar que os tanques soviéticos voltassem à Polônia. O ato fez com que muitos filiados ao sindicato Solidariedade fossem presos ou se exilassem, e os distúrbios provocaram mortes nas ruas.
“As greves de operários são, por enquanto, nossa melhor opção: os trabalhadores permanecem quietos. Será pior se saírem do lugar de trabalho e organizarem manifestações na rua (…). Se isso acontecer e se estender por todo o país, serão vocês (União Soviética) que terão que nos ajudar. Sozinhos, não podemos”, afirma um fragmento de reunião entre Jaruzelski e um alto dirigente soviético.
O IPN assegura que tornará públicos outros documentos nos quais se comprova que o general Jaruzelski era partidário da intervenção soviética, em momento no qual as greves dos trabalhadores dos estaleiros e a queda-de-braço do sindicato Solidariedade com o Governo comunista se transformavam em uma ameaça cada vez maior.
Em 1989, o Governo comunista foi incapaz de controlar o poder perante o clamor popular que pedia o fim da ditadura e a chegada da democracia.