Fazer compras, escolher uma programação, jogar games eletrônicos e até pedir uma pizza. Daqui a alguns anos, será possível fazer tudo isso pela televisão. A tecnologia digital veio para ficar e promete aumentar a interatividade com os telespectadores. “Hoje, existem grandes oportunidades de negócios na TV Digital dentro do padrão nipo-brasileiro”, aposta o empresário Marcos Roberto Oliveira.
Ele foi o convidado da última edição do Café Empresarial, evento promovido pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT). ex-aluno do curso de Ciência da Computação, Marcos é hoje sócio-diretor da Intacto Engenharia de Sistemas. A empresa começou na garagem de casa, com mais cinco colegas graduados no curso. Ele informa que a parceria entre Brasil e Japão para desenvolvimento de um modelo interativo com tecnologia e aplicativos digitais já desperta interesse no mundo e pode ser exportado para países como China e Índia.
O Brasil já se destaca no mercado internacional e a expectativa é que até 2016 a cobertura da TV digital atinja todas as capitais brasileiras. Segundo Marcos, as emissoras que não se adequarem ao novo sistema poderão sofrer multas e até cancelamento das transmissões. A novidade movimenta o mercado em diversas áreas desde a engenharia até a publicidade e o design gráfico. “As oportunidades estão aí para emissoras, fabricantes, engenheiros, produtores de conteúdo e anunciantes”, comenta ele.
Interatividade
Um software brasileiro, batizado de Ginga!, vai revolucionar a forma como assistimos televisão. O programa instalado dentro dos conversores (aparelho que capta o sinal digital) roda aplicativos da internet que permitem maior interatividade com o telespectador, como participação na programação, em campanhas dos anunciantes e até votação em enquetes e reality shows. “A nova tecnologia vai fazer com que as emissoras possam traçar um perfil do público que assiste aos programas, além garantir o acesso a outros serviços como bancários, órgãos do governo, compras e jogos eletrônicos”, explica Marcos.
O Ginga! é fruto de uma parceria para desenvolvimento tecnológico entre a PUC/RJ e a Universidade Federal da Paraíba. O software livre ainda não foi lançado no mercado, mas já está disponível para testes e pesquisas. “O mercado de 180 milhões de brasileiros salta aos olhos dos empresários do mundo inteiro. A TV Digital aberta no Brasil é a segunda maior do mundo, só perde para a China. Como a televisão já está em mais de 95% dos lares brasileiros, nos próximos anos quase toda a população terá acesso a nova tecnologia”, acredita Marcos.
No entanto, o jovem empresário de 25 anos reconhece que ainda há um longo caminho a ser percorrido. Tanto no desenvolvimento de novas tecnologias, quanto na popularização dos conversores para torná-los mais acessíveis. Segundo ele, estima-se que 65% da população brasileira já tem acesso a TV Digital e cerca de 1,5 milhão de conversores foram vendidos. Marcos aponta que será preciso investimento do governo e incentivos fiscais como foi feito em outros países. Na Itália, cita ele, os conversores foram doados à população. Nos Estados Unidos, com aporte de recursos do governo, o preço do conversor caiu para 10 dólares.
Em Brasília, apenas a TVs Brasil, Globo e da Justiça usam o sinal digital. As outras estão esperando a construção da Torre de TV Digital, que será erguida em Sobradinho e tem previsão de ser inaugurada em abril de 2010 dentro das comemorações dos 50 anos da capital federal. A perspectiva de mudança na tecnologia de transmissão anima os futuros profissionais. “A área de TV Digital representa uma expansão no mercado de telecomunicações, que vai precisar de profissionais capacitados em novas tecnologias”, reflete o estudante do 8º semestre de Engenharia Elétrica Tiago Bonfim.