Menu
Brasília

Turistas aprovam carnaval da capital

Arquivo Geral

17/02/2015 9h43

Ludmila Rocha, Suzano Almeida e Raquel Martins Ribeiro

redacao@jornaldebrasilia.com.br

Os blocos Galinho, Aparelhinho e Concentra, mas não sai agitaram a capital na tarde de ontem. Juntos, eles arrastaram mais de 85 mil pessoas para as ruas. Por volta de 14h, o Setor Bancário Sul, conhecido como centro econômico em dias úteis, foi invadido pelos foliões do Aparelhinho. Enquanto isso, na 404 Norte, cerca de 250 moradores brincavam – como fazem há mais de 15 anos – ao som de bom e velho samba.  

Criado em 2012, pela equipe do bloco Coletivo Criolina, o Aparelhinho desfila sempre às segunda-feiras de Carnaval. Rafael Oops, organizador do Aparelhinho e DJ do Criolina, diz que a ideia era criar um aparelho autônomo, que permitisse a ele e um grupo de amigos tocarem o seu próprio som. “Fazemos um passeio pelo Carnaval brasileiro. Tocamos samba, axé, marchinhas e frevo”, explica. 

Este ano, a orquesta Marafreboi e o grupo Patubatê fizeram uma participação especial e agitaram os foliões com seu estilo multicultural. 

A advogada Lorena Porto, 25, e sua amiga, a também advogada Thaíssa de Castro, 25, vieram de Goiânia (GO) só para aproveitar o Carnaval com amigos e familiares em Brasília. “Como tenho família aqui, não gastamos com hospedagem. Em Goiânia, o Carnaval é mais em clubes e shows, não existem blocos de rua”, conta. Thaíssa também gostou e já pretende voltar. “É divertido e muito próximo de Goiânia, vale a pena”, diz. 

Fortalecimento

Eduardo Damasceno, publicitário, de 31 anos, mora em São Paulo e também veio a Brasília para curtir a folia com amigos. “Já passei o Carnaval em Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Recife (PE) e aqui tem sido tão bom quanto. A festa de rua de Brasília tem se fortalecido. O Aparelhinho está ótimo”, comenta.

A desenhista Maria Eunice,  57, curtiu a festa ao lado da filha e da neta. Natural do Rio de Janeiro, ela mora em Brasília há mais de 45 anos e sempre participa dos blocos de rua da cidade. “O Carnaval brasiliense tem características peculiares”, observa ela. 

Ambiente acolhedor

Merces Parente, de 63 anos, é piauiense, mora em Brasília há 55, e é presença garantida nos blocos de rua. “Brinquei no primeiro Pacotão e este ano já passei pelo Suvaco da Asa e Babydoll de Nylon. Acho interessante a ideia de usar espaços públicos, como uma praça no Setor Bancário, para a concentração de um bloco”, destaca.  “E não é só no Plano Piloto. As cidades satélites também têm blocos muito bons”, completa a aposentada. 

Após sair do ponto de partida, na praça da Quadra 1 do Setor Bancário Sul, o Aparelhinho se deslocou para a parte de trás do espaço. Ali, a festa continuou com a Urucombi – uma Kombi decorada e equipada com aparelho de som. Policiais militares acompanharam de perto a folia, que continuava pacífica até o fechamento desta edição.

Concentra, mas não sai

Enquanto isso, moradores da 404 Norte se divertiam no Concentra, mas não sai. Este ano, a folia foi em um gramado da quadra comercial, entre dois blocos. Ao som das bandas RC Samba, Furiosas e do grupo Patubatê, moradores, amigos e familiares pularam carnaval até as 21h.

A professora Cristina da Rocha,  41, levou o marido e a filha para o bloco. “Somos do Rio mas já moramos aqui há cinco anos. Desde então, brincamos Carnaval na rua. Ficamos um pouquinho em cada bloco. O Concentra, mas não sai é bom porque é tranquilo e familia”, diz.

Mais de seis horas de frevo e marchinhas

Com a segurança reforçada, o Galinho foi às ruas da capital ao som de marchinhas e do tradicional frevo, vindo diretamente da de Recife. Por seis horas, os foliões curtiram sem desanimar e sob o olhar vigilante da Polícia Militar.

O gaúcho Andrey Coelho, 19 anos, conta que o público de Brasília é mais “selecionado” do que em outro locais por onde já passou.

“Em comparação ao Rio de Janeiro, por exemplo, aqui o público ainda é mais selecionado. Porém, ainda tem mais gente que vem para brigar em vez de se divertir”, explica o estudante.

A dentista Taciane Morum, 34 anos, foi para a folia com toda a família e não se decepcionou com que encontrou. “Aqui está tranquilo. Achei que o melhor era irmos para um clube, mas moramos aqui perto, e as crianças queriam ir para rua”, conta a dentista.

Caminho longo

O arquiteto Breno Teixeira, em contrapartida, acredita que a folia brasiliense ainda tem muito a evoluir. “O Carnaval de Brasília ainda está crescendo. Ainda existem muitas as pessoas que viajam para se divertir fora, mas as que ficam estão indo curtindo a festas de rua”, relata.

Galinho tem segurança reforçada

No bloco Galinho, a Polícia Militar reforçou a segurança para garantir a alegria do bloco – um dos mais populares da história do Distrito Federal. Várias revistas a foliões puderam ser presenciadas durante o percurso e, em uma delas, a ação do policiais evitou que crimes mais graves fossem cometidos.

Um menor de 16 anos foi apreendido em companhia de outros dois jovens e um adulto portando uma arma de brinquedo, que segundo os policiais da Escola de Formação de Praças da PM, poderia ser usada para cometer crimes como assalto a pedestres, roubo a veículos e até estupros. “Temos feito muitas apreensões de drogas. São uns poucos querendo atrapalhar a festa dos outros e prejudicar pais de famílias, que vêm para se divertir”, afirma o soldado Marcarenhas.

Sem abusos

A presença da PM foi elogiada pelos foliões. O casal Juliana Sette e João Pedro Daher afirmam que se sentiram seguros durante a festa. “Até onde vimos, os policiais estão sendo justos, abordando apenas pessoas que fazem coisas erradas. Sem cometer abusos”, afirmou João Pedro.

A engenheira Natália Cardoso, 28, também ficou entusiasmada ao ver a segurança presente no Galinho. “Em todos os locais têm policiamento e a festa está sem brigas”, elogia.

Para evitar maiores transtornos, além das armas convencionais, chamadas letais, os policiais utilizaram armamento não-letal, como armas de choque, com o objetivo de evitar males maiores.

Até o fechamento desta edição, não foram registradas ocorrências graves.

Trio veste a camisa

Maior destaque da festa, o Galinho de Brasília vai muito além do boneco, que passa os quatro metros de altura. Por baixo da fantasia, que embala os foliões, três homens dão vida ao personagem: Sidney ‘Bomba’, Daniel José Silva e Adjan Lustosa. Alma do Galinho há 17 anos, o trio ainda se emociona. “É muito bom participar agitando a galera, sem confusão”, afirma Sidney.

Clima de paz em Taguá

Os blocos Mamãe Taguá e Asé Dudu se despediram do Carnaval na tarde de ontem, na Praça do DI, em Taguatinga. Segundo a Polícia Militar, cerca de 1,2 mil foliões aproveitaram a festa, que mesclou atrações infantis com opções para o público adulto. “Mesmo com poucos recursos, conseguimos cumprir nosso papel de fazer uma comemoração popular com muita alegria e paz”, afirma Elisabete Cintra, coordenadora do bloco Asé Dudu.

Desde sua fundação, há 27 anos, o bloco criado por jovens negros que não se sentiam representados tomou corpo de reunião familiar. “Não foi fácil consolidar o Asé Dudu, sofremos com o preconceito. Mas a aceitação popular e o fato de as pessoas se sentirem seguras para trazer seus filhos foram os quesitos que determinaram nossa continuidade”, explica a coordenadora.

Diferente de outros carnavais da cidade, a folia terminou em paz, sem nenhum registro de ocorrência policial. “Aqui, ninguém vem para brigar ou arrumar confusão. A alegria está em primeiro lugar”, conclui Elisabete.

Folia familiar

A autônoma Célia Reis e o líder de rampa no aeroporto Emanuel França são prova dessa aceitação. O casal levou as filhas Thaissa, de 11 anos, e Camila, 7, vestidas a rigor para o folguedo do Momo. “Esta época é perfeita para a diversão familiar. Elas adoram e nós curtimos juntos com nossas pequenas”, destaca Célia.

A representante comercial Laryssa Freire, que levou a filha Ana Luiza, de 5 anos, pela primeira vez ao Carnaval, se diz surpresa com os eventos no Distrito Federal. “Sempre viajei nesta época do ano, pois achava que Brasília não tinha Carnaval”, conta. E completa: “Nos anos anteriores, a Ana Luiza não aproveitou tanto como neste. Está sendo tudo uma grande festa”.

Apoio e oficinas

Sem ajuda do Governo do Distrito Federal, bloco de Taguatinga contou com apoio de empresas privadas para realização do evento.

Durante todo o ano, o grupo Asé Dudu promove oficinas gratuitas, de percussão, dança afro e capoeira, na Escola Classe Nº 8, de Taguatinga.

Saiba mais

Todos os anos, organizadores do Cocentra, mas não sai confeccionam abadás para os vizinhos que confirmam presença na folia. 
 
A fim de arrecadar fundos, eles realizam eventos de pré-carnaval, com comida e música de qualidade para o público. 
Apesar de ter sido idealizado de forma familiar, o Carnaval também é aberto para “agregados”, modo como os foliões chamam quem é de fora. Sendo assim, é só chegar e curtir com a turma. 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado