Se não bastasse a greve dos metroviários, os usuários do transporte público encontraram mais um obstáculo: motoristas e cobradores de ônibus cruzaram os braços na manhã de ontem. Passageiros de Samambaia, Recanto das Emas, Cruzeiro e Sudoeste foram prejudicados. Na outra ponta, o Tribunal Regional do Trabalho tenta amenizar os efeitos da greve no metrô. Uma liminar determina a circulação de 50% dos trens a partir de hoje.
A decisão é do presidente do TRT, o desembargador André Damasceno. “Evidentemente ainda não atende a necessidade da população. Mas ameniza os efeitos da greve até o julgamento (do dissídio)”, destacou o presidente da Casa. Quem descumprir a ordem deve pagar multa de R$ 50 mil por dia. A reportagem não conseguiu contato com o Sindmetrô.
A greve vem causando prejuízos aos usuários, que ainda tiveram 450 ônibus a menos rodando nas ruas ontem. Resultado: 50 mil pessoas sem o serviço. Com as paralisações, o jeito foi apelar para os “piratas”, que rapidamente começaram a circular.
Motivação
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a ação não teve apoio da entidade e pode ter sido motivada por interesses políticos. O presidente da entidade sindical, João Osório, disse que os responsáveis pela paralisação de ontem devem ser punidos.
“A suspensão do serviço nos pegou de surpresa tanto quanto à população. Para nós, foi motivada por interesses políticos. Somos contra o que aconteceu”, disse. Hoje, os representantes da categoria devem ficar de olho nas movimentações dos motoristas e cobradores.
Os rodoviários da empresa de ônibus Urbi reclamam que não recebem pagamento há um mês. Esse seria o motivo da paralisação. Já os da Piracicabana, que fazem as linhas do Sudoeste e Cruzeiro, protestaram contra as más condições do terminal rodoviário e, principalmente, do local de refeições. Tudo aconteceu porque a administração do Terminal e o DFTrans trocou a sala que os funcionários tinham para se alimentar para uma menor.
“É nessa sala que esquentamos nossas marmitas, bebemos água, comemos e descansamos. Não entram três pessoas de uma vez. Precisamos de um lugar maior”, diz o cobrador Flávio Amaral, 37 anos.
Espremidos, revoltados e sem esperança
No final da tarde, revoltados, usuários do transporte público se espremiam na Rodoviária do Plano Piloto. Para eles, a greve do metrô deve ser considerada ilegal. “Isso está atrapalhando a vida dos trabalhadores. Quem depende disso é gente honesta, que precisa sair cedo de casa. Olha a situação dos ônibus. Está afetando a vida de todo mundo e acabando com o pouco de qualidade de vida da população”, desabafou a vendedora Ilma Aparecida, moradora de Samambaia. Por conta também da paralisação dos ônibus, ela atrasou duas horas para chegar ao trabalho.
Por volta das 19h, a Rodoviária do Plano Piloto ficou completamente tomada por um mar de gente. Ninguém sabia ao certo para onde correr.
“Está uma confusão isso aqui. Os ônibus estão parando onde querem, quando querem. Não tem fiscalização. Parece sacanagem com a nossa cara”, criticou a analista de sistemas Luzirene Maria Correia, 41 anos, que tentava ir para casa, no Recanto das Emas.
Versão Oficial
O diretor do DFTrans, Lúcio Lima, esteve no terminal do Cruzeiro e prometeu acionar a Secretaria de Transportes para verificar o que pode ser feito para atender as reivindicações dos rodoviários. “Vou entrar em contato com a Subsecretaria de Infraestrutura para ver se conseguimos um local maior e melhor para eles”, disse. Ele ainda garantiu que entraria em contato com a Piracicabana para averiguar o motivo de a empresa não ter recebido uma comissão formada pelos funcionários para uma negociação.