Após receber um chamado de que uma aeronave havia caído em São Sebastião, foram deslocadas oitos viaturas do Corpo de Bombeiros, dois helicópteros e mobilizados 32 homens para atender a ocorrência. Somente após a decolagem de um helicóptero do Corpo de Bombeiros e de outro da Polícia Rodoviária Federal, as equipes constaram que tratava-se de um trote feito ao Serviço de Ligação de Atendimento Móvel (Samu).
A ligação indicava que o avião estava na Quadra 8 do bairro São José, para onde foram os helicópteros e as viaturas do 17º Grupamento de Bombeiro Militar do Distrito Federal (GBM), do Samu e de outros três quartéis próximos ao local. As equipes fizeram buscas no local durante cerca de três horas e nada encontraram.
O sargento Olegário Pacheco, de 39 anos, diz lamentar que acontecimentos como este ainda ocorram, já que podem ter consequências até fatais.
“É importante orientar constantemente as pessoas para que não passem trote às autoridades. Isso prejudica muito o nosso trabalho. No momento que fomos deslocados para procurar o avião, não pudemos atender a um chamado real de um cardíaco. O atendimento de um caso que poderia ter sido fatal demorou mais do que devia pela falta de viaturas”, conta.
3,6 mil trotes por dia
O atendimento de denúncias falsas é muito comum nos serviços de atendimento à população no DF. Somente no Samu, 22% das ligações recebidas em 2012 eram trotes.
Antes de chegar ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Militar, o atendimento começa na Central de Atendimento e Despacho (Ciade). Os atendentes recebem as ligações de números de emergência, 193 e 190. Depois de uma triagem, eles encaminham as ocorrências por um sistema para outro setor.
Diariamente, a Central recebe 12 mil ligações, das quais 3,6 mil são trotes, 30% do total. Isso representa cerca de 150 trotes por hora todos os dias.