A Tenda dos Milagres, obra de Jorge Amado, rendeu à Acadêmicos da Asa Norte o título de tricampeã do Carnaval brasiliense, com 268,05 pontos. O segundo lugar foi conquistado pela Associação Recreativa e Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) – 267,07 pontos –, seguida da Bola Preta de Sobradinho (263). Dessa forma, a repetiu-se a disposição do pódio de 2013.
“Não foi fácil. A competição foi suada e houve muitos debates e discussões para se chegar até aqui”, comemorou o presidente da escola campeã, Robson Farias. A Aruc, por sua vez, lamentou o resultado. “O resultado significa que precisamos trabalhar mais e melhor. Precisamos chamar a comunidade e fazer um Carnaval diferente”, disse o diretor financeiro, Francisco Paulo.
A agremiação da Asa Norte apresentou enredo com temática baiana, que fala da “luta contra a opressão” e da “igualdade que o povo queria”. O escritor Jorge Amado e o seu romance deram o tom durante boa parte do desfile. A comissão de frente trouxe uma alegoria baixa representando o livro. De dentro dele, saíam capoeiristas que formavam uma roda com os outros dançarinos. Chamou a atenção a interação dos intérpretes com o Rei Momo, a Rainha do Carnaval e as princesas.
A chuva caiu horas antes e no final da festa, mas não parecia incomodar ninguém. O que atrapalhou duas escolas foram as falhas nos carros, que tiraram pontos da Mocidade do Gama e Águia Imperial.
Quem sobe e quem desce
Quem não teve um bom resultado no Grupo Especial foi a Mocidade do Gama, que ficou em sexto lugar e foi rebaixada para o Grupo de Acesso, com 250,60 pontos. Por outro lado, a Império do Guará conquistou a ascensão para a elite do Carnaval. Já no Bloco de Enredo, quem subiu para o grupo de acesso foi a Acadêmicos do Riacho Fundo II, com 263,07 pontos.
Participaram da votação 27 jurados do Rio de Janeiro. Foram avaliados nove quesitos: samba-enredo; enredo; harmonia; conjunto e evolução; mestre-sala e porta- bandeira; comissão de frente; bateria; fantasia e alegorias e adereços. O resultado foi levado em malotes por uma empresa de segurança.
Aruc
A tradicional escola do Cruzeiro homenageou o consagrado músico baiano Dorival Caymmi, que completaria 100 anos em 2014. Ele era um adepto do candomblé e trazia nas suas composições várias citações sobre Iemanjá, o orixá relacionado às águas.
Já na comissão de frente, os passistas estavam caracterizados com adereços verdes e azuis, que remetiam ao deus romano Netuno e carregavam tridentes. Dorival foi um dos nomes do rádio e, por isso, um dos carros alegóricos da escola trazia um aparelho retrô gigante. Em outra alegoria, uma igreja era retratada. Um dos casais de mestre-sala e porta-bandeira trazia temas do Frevo, em referência à música ‘Dora’, que fala sobre uma dançarina do ritmo pernambucano. A escola, maior vencedora dos carnavais brasiliense – ganhou 31 vezes- foi para a avenida para tentar reconquistar o título, o qual não ganha desde 2011, mas ficou com o vice, assim como nos dois últimos anos.