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Brasília

Três pessoas são indiciadas no crime da 113 Sul

Arquivo Geral

21/08/2010 11h45

 

Três pessoas foram indiciadas no caso do crime do casal Vilella na 113 Sul. A vidente Rosa Maria Jaques, 61 anos, e o marido dela João Tocchetto, 49, foram indiciados por denúncia caluniosa enquanto o ex-agente da Polícia Civil, Augusto, foi indiciado por fraude processual por suspeita de ter plantado a chave. As afirmações foram feitas pela delegada e diretora da Divisão de Homicídios II, Mabel Faria, que concedeu entrevista no Departamento de Polícia Especializada (DPE) na manhã deste sábado (21). A principal suspeita segundo a delegada é a filha do casal, a arquiteta Adriana Villela, 46.

 

A delegada disse ainda que não descarta a possibilidade de que Adriana tenha presenciado o crime mesmo com a confirmação de uma amiga que diz ter recebido a visita dela em sua casa na Vila Planalto na noite do assassinato. Não há indícios da participação da neta dos Vilella, Carol, e do filho, Augusto.

 

Na noite desta sexta-feira, o desembargador Romão Cícero, da 1° Turma Criminal, deferiu pedido de habeas corpus protocolado pelos advogados da ex-empregada do casal Vilella, Guiomar Barbosa Cunha, de 71 anos que também estava presa por suspeita de envolvimento no caso.

 

Chave

As investigações precisam esclarecero caso da chave plantada. Sabe-se que toda fechadura tem duas chaves originais. A localizada na casa de dois dos três homens presos em Vicente Pires e liberados por falta de provas é uma chave original. Se a chave foi plantada para incriminar os suspeitos, na primeira perícia feita na cena do crime teria que ter a fotografia de duas chaves originais e não apenas de uma chave. O que se questiona, então, é aonde foi parar a fotografia da outra chave, já que todas elas foram fotografadas pela perícia nas portas.

 

Segundo uma fonte, das 16 chaves localizadas no apartamento dos Vilella, é preciso saber quantas fotografias foram tiradas nas 12 perícias realizadas. A empresa fabricante da chave tem condições de informar quantas chaves originais foram vendidas. A fotografia tomada como base para dizer que a chave original foi plantada, já que a perícia não foi feita na chave e sim em uma fotografia, tem caracteres diferentes de todas as outras. O problema é que todas as chaves apreendidas pela polícia já foram devolvidas para Adriana, antes mesmo do crime ser esclarecido.

 

Saiba mais

O assassinato do casal Villela e da empregada, mortos com 73 facadas em um apartamento na 113 Sul, foi um dos crimes que mais chocaram o Distrito Federal nos últimos tempos.  A população, que tinha a impressão que o caso estava longe ainda de ter um desfecho, foi surpreendida com a notícia da prisão nesta terça-feira (17) de quatro pessoas, entre elas a filha do casal morto, Adriana Villela. 

 

José Guilherme Villela, 73 anos, advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sua esposa, Maria Carvalho Mendes Villela, 69, e a empregada, Francisca Nascimento da Silva, 58, foram mortos no dia 28 de agosto de 2009.  Os corpos foram descobertos somente três dias depois.  

 

No começo da investigação, a polícia trabalhou com a hipótese de latrocínio – roubo seguido de morte – mas a idéia começou a perder força.  Os agentes passaram então a trabalhar com a tese de que o crime tenha sido encomendado e de que jóias teriam sido induzidas no local para confundir a polícia. Até mesmo sob a suposta faca do crime, encontrada no apartamento do casal, também recaiu a suspeita de ter sido colocada no local para atrapalhar a perícia.

 

Poucos dias depois, a própria polícia era acusada de plantar provas no local. A delegada titular da DP (Asa Sul), Martha Vargas, foi afastada do comando da delegacia após um  laudo, feito pelo instituto de Criminalística, comprovar que a chave encontrada em uma quitinete de Vicente Pires foi supostamente plantada no local. Na época, a chave foi considerada uma cópia de uma original pertencente ao apartamento do casal Vilella.

 

A localização da  chave em Vicente Pires levou inclusive a prisão de três homens, suspeitos de participarem do triplo homicídio. A perícia concluiu que a chave localizada em Vicente Pires é a mesma  encontrada no local do crime, um apartamento do bloco C da 113 Sul. A delegada negou que tenha plantado (colocado intencionalmente) ou determinado a colocação da chave no apartamento de Vicente Pires.

 

Uma vidente Identificada como R.M. teria sido quem levou Martha Vargas e uma equipe de policiais a localizar a chave. A pedido da Coordenação de Investigação dos Crimes Contra a Vida (Corvida), o Instituto de Criminalística (IC)  comprovou que a chave encontrada em Vicente Pires é a mesma fotografada pela perícia, no apartamento dos Villela,  quando os corpos do casal e da empregada foram encontrados. Há suspeita que a vidente tenha sido usada para desviar o foco da investigação sobre a participação de pessoas próximas à família no triplo assassinato.

 

 

 

 

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