Da Redação
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Otrabalho desenvolvido no Zoológico de Brasília vai além do que os olhos dos visitantes podem observar. Cada espécie necessita de cuidados especiais, que vão desde a alimentação a tratamento médico, como ao qual foi submetida a leoa Fafá. Mas apesar de todo esforço para cuidar da fêmea, Fafá não resistiu a um câncer no fígado e morreu.
O problema de Fafá era generalizado e começou há muitos anos. A leoa já teve câncer no útero, o que mobilizou toda a equipe do Zoológico a fazer uma cirurgia para extrair o órgão. A nova doença começou com um sangramento no focinho. Biólogos e veterinários mantiveram Fafá no hospital veterinário e realizaram exames, nos quais foram detectadas alterações no fígado. Esse problema fazia com que o sangue não coagulasse e daí surgiu a explicação do sangramento.
E para tratar de todos os animais, um time de peso entra em cena para dar comodidade e muita atenção aos bichos. Nove biólogos, sete veterinários e mais de 20 tratadores cuidam diariamente da saúde dos 1.250 bichos distribuídos em 250 espécies, que são abrigados em 54 recintos. Há animais que recebem uma espécie de treinamento para facilitar o trabalho dos veterinários com eles.
A bióloga e agente de conservação e pesquisa biológica Eliane Garcia conta quais são as atividades para entreter os animais e evitar o estresse. “Tem dias que simulamos a caça. Colocamos alimento embaixo de feno (mistura de plantas secas), para que eles trabalhem com o olfato e achem o alimento lá. Além disso, elaboramos trilhas de cheiro e, como exemplo as ariranhas, jogamos peixes vivos para elas caçarem. Tudo isso muda a rotina deles”, explica.
Para os biólogos, o trabalho junto aos animais é gratificante, tanto que quando perguntada se trocaria suas atribuições, Eliane foi categórica: “Não troco por nada! Eles são tudo para a gente, tudo que eles fazem nos estimula. Cada resposta a um estímulo é engrandecedor e enriquece nosso contato”, afirma.
Qualquer eventualidade não está descartada e pode ocorrer a qualquer momento. Seja uma doença, um fratura ou uma ferida. Não importa o que seja e nem a hora, todos estão de prontidão para atender os moradores ilustres. “Já me ligaram de madrugada para vir atender um caso. Isso ocorre sempre e não me importo, faço isso com gosto”, conta o biólogo da sessão de mamíferos Tiago Carpi.