
Em geral, mudanças costumam causar algum tipo de transtorno. E a regra se aplica principalmente quando diz respeito a espaços urbanos. As obras na Rodoviária do Plano Piloto são um exemplo disso. Na tentativa de garantir mais qualidade na prestação de serviço às 880 mil pessoas que passam pelo terminal diariamente, o espaço será restaurado para receber o sistema Expresso DF. O primeiro dia útil com o novo esquema para as obras foi tumultuado, porém, com a expectativa de dias melhores.
Os banheiros, uma antiga reclamação da população, foram os primeiros a apresentar cara nova. O que mostra o resultado de alguns sacrifícios temporários. Na época, os cidadãos reclamavam do forte cheiro de esgoto na área. Hoje, são inúmeros os elogios à nova estrutura do local. “Ficou outra coisa. Antes, dava nojo entrar ali”, diz a cobradora de ônibus Célia Cristina dos Santos, 42 anos.
Na profissão há 12 anos, ela reconhece que a Rodoviária do Plano Piloto está, sim, bastante fora dos eixos, contudo, são transtornos necessários para melhorar o espaço. “A nossa esperança, como trabalhadores, é de que melhore bastante. Porque está realmente bagunçado. Mas, acho que um exemplo de ‘boas novidades’ são os bebedouros instalados. Tinha dias que a gente passava sede aqui”, admite a trabalhadora.
Expectativa
Depois das obras de infraestrutura básica, começam agora aquelas necessárias para receber o Expresso DF Sul: o BRT Corredor Eixo Sul, pelo qual serão feitas viagens entre as cidades do Gama e Santa Maria e o Plano Piloto. “Apesar de estarmos mal instalados agora, acredito que esse sistema vem para melhorar a nossa vida”, opina o representante de vendas, morador de Santa Maria, Claudio Neto, 34 anos.
Menor tempo
Com a instalação do sistema, o tempo de viagem entre essas regiões e o Plano Piloto, que hoje é de 90 minutos, deve ser reduzido para 40. A previsão de duração das obras é de, no mínimo, três meses.
Novos locais para coletivos
Enquanto isso, passageiros dos municípios vizinhos do DF devem pegar os ônibus na plataforma superior, onde foram instaladas 20 tendas das 13 empresas intermunicipais. Placas indicam os locais provisórios das linhas.
“Se a gente pensar que no futuro teremos mais qualidade no transporte, é claro que esse transtorno vale a pena. Só acho que faltou avisar a população com mais antecedência mesmo. Estou vendo muita gente perdida aqui. Mas, por outro lado, tem muita gente pra informar também”, diz a estudante Telma Turcios, 32 anos, referindo-se os funcionários do DFTrans.
Para motoristas de ônibus, o principal transtorno está sendo o engarrafamento ao redor do terminal, que lhes toma, pelo menos, 20 minutos a mais. “Com toda essa bagunça, ficamos uns 15 minutos só para estacionar. Para a gente, isso é estressante”, diz Célio Alves, 43 anos. Há 18 anos na profissão, contudo, ele admite: “Isso tinha que acontecer uma hora, né? A gente sabe que ‘é ruim, mas é bom’”.