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Brasília

Transtornos hoje, melhorias amanhã para o transporte público

Arquivo Geral

11/03/2014 7h00

Em geral, mudanças costumam causar algum tipo de transtorno. E a regra se aplica principalmente quando diz respeito a espaços urbanos. As obras na Rodoviária do Plano Piloto são um exemplo disso. Na tentativa de garantir mais qualidade na prestação de serviço às 880 mil pessoas que passam pelo terminal diariamente,  o espaço será restaurado para receber o sistema Expresso DF. O primeiro dia útil com o novo esquema para as obras foi tumultuado, porém, com a expectativa de dias melhores.

Os banheiros, uma antiga reclamação da população, foram os primeiros a apresentar cara nova. O que mostra o resultado de alguns sacrifícios temporários. Na época, os cidadãos reclamavam do forte cheiro de esgoto na área. Hoje, são inúmeros os elogios à nova estrutura do local. “Ficou outra coisa. Antes, dava nojo entrar ali”, diz a cobradora de ônibus Célia Cristina dos Santos, 42 anos. 

Na profissão há 12 anos, ela reconhece que a Rodoviária do Plano Piloto está, sim, bastante fora dos eixos, contudo, são transtornos necessários para melhorar o espaço. “A nossa esperança, como trabalhadores, é de que melhore bastante. Porque está realmente bagunçado. Mas, acho que um exemplo de ‘boas novidades’ são os bebedouros instalados. Tinha dias que a gente passava sede aqui”, admite a trabalhadora. 

Expectativa

Depois das obras de infraestrutura básica, começam agora aquelas necessárias para receber o Expresso DF Sul: o BRT Corredor Eixo Sul, pelo qual serão feitas viagens entre as cidades   do Gama e Santa Maria e o Plano Piloto. “Apesar de estarmos mal instalados agora, acredito que esse sistema vem para melhorar a nossa vida”, opina o representante de vendas, morador de Santa Maria, Claudio Neto, 34 anos. 

Menor tempo

Com a instalação do sistema, o tempo de viagem entre essas regiões e o Plano Piloto, que hoje é de 90 minutos, deve ser reduzido para 40. A previsão de duração das obras é de, no mínimo, três meses.

Novos locais para coletivos

Enquanto isso, passageiros dos municípios vizinhos do DF devem pegar os ônibus na plataforma superior, onde foram instaladas 20 tendas das 13 empresas   intermunicipais. Placas   indicam os locais provisórios das linhas. 

“Se a gente pensar que no futuro teremos mais qualidade no transporte, é claro que esse transtorno vale a pena. Só acho que faltou avisar a população com mais antecedência mesmo. Estou vendo muita gente perdida aqui. Mas, por outro lado, tem muita gente pra informar também”, diz a estudante Telma Turcios, 32 anos, referindo-se os funcionários do DFTrans.

Para motoristas de ônibus, o principal transtorno está sendo o engarrafamento ao redor do terminal, que lhes toma, pelo menos, 20 minutos a mais. “Com toda essa bagunça, ficamos uns 15 minutos só para estacionar. Para a gente, isso é estressante”, diz Célio Alves, 43 anos. Há 18 anos na profissão, contudo, ele admite: “Isso tinha que acontecer uma hora, né? A gente sabe que ‘é ruim, mas é bom’”. 

Complexo exclusivo para ônibus
 
O corredor exclusivo Eixo Sul faz parte do Plano Diretor de Transporte Urbano do Distrito Federal e Entorno (PDTU) – componente do programa Brasília Integrada, que busca promover a mobilidade, aumentando a integração entre os núcleos urbanos. 
 
 De acordo com o GDF,  o Expresso-DF prevê a construção de 35 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus, 15 estações de integração, 15 passarelas para pedestres, melhoria da acessibilidade e da infraestrutura viária. Também será implementado sistema de controle centralizado com regularização dos serviços, imagens on-line, fiscalização e tempos de viagem.
 
Beneficiados
 
 O complexo vai atender aproximadamente 270 mil pessoas – aproximadamente 11% da população. Serão beneficiados moradores das áreas de maior densidade demográfica do DF, além da população de municípios goianos.
 
O investimento total é de R$ 600 milhões, com contrapartida de financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade. As melhorias começaram em 6 de novembro de 2011. 
 
Outras etapas da reforma
 
A Novacap, responsável por algumas das obras que acontecem hoje na Rodoviária do Plano Piloto, respondeu à reportagem do Jornal de Brasília que, além das obras que acontecem para a instalação do Expresso DF, já foram feitas reformas gerais nos seis banheiros do local, execução de dois fraldários, pinturas dos guarda-copos de concreto, interligação de fosso das escadas rolantes à rede de águas pluviais, limpeza de teto dos viadutos e recuperação de pilares. 
 
“As melhoras são visíveis. O problema é que quem reclama também estraga. Num dia eles pintam, no outro já está tudo pichado”, afirma a funcionária pública Idelci Carvalho, 57 anos. Para ela, ainda tem que melhorar muita  coisa  na Rodoviária, mas o mais importante é que algumas reformas sendo feitas. “A gente não pode querer tudo de uma vez só, né? Pena que isso só tá acontecendo agora”, esclarece.
 
O prazo para a finalização de todos os serviços, ainda segundo a estatal, é até o dia 21 de abril, “devido à prorrogação de prazo em consequência dos serviços extras já contratados e imprescindíveis à execução de alguns serviços contratuais”. O  valor  atualizado  para a execução total  é de R$ 8 milhões.
 
Novos veículos
 
Outro investimento diz respeito aos   ônibus do Expresso-DF. Os veículos  têm aberturas altas adaptadas à altura da plataforma dos terminais e transportam até 160 passageiros – duas vezes mais que os convencionais. Cada ônibus custa R$ 950 mil. As linhas farão integração com sistema atual e serão operadas pela empresa Pioneira. Os ônibus serão monitorados por um Centro de Controle Operacional (CCO), que irá repassar aos usuários informações   por meio de painéis.
 

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