Todos os dias, Maria Iracema, de 47 anos, leva mais de uma hora para chegar em casa. Ela percorre a pé cerca de cinco quilômetros da Quadra 29 do Setor de Mansões Park Way, onde trabalha, até a residência dela, em Vargem Bonita. A diarista reclama da falta de transporte público na região e, como ela, dezenas de pessoas precisam se virar para chegar aos destinos. Vão caminhando, com transporte pirata, carona ou deixados pelos patrões e familiares. “A gente pode esperar para sempre. É muito difícil passar ônibus”, confessa. Enquanto isso, o DFTrans afirma que há nove linhas circulando no local.
“Nove?! Mal tem uma (linha). E, se quebrar, a gente dança e fica na rua”, contra-ataca. Ela diz que não importa se chove ou faz sol: o caminho é sempre percorrido de bicicleta ou caminhando. Se for esperar por transporte público, diz, chega em casa muito tarde. Apesar de tudo, ela encara com bom humor: “Pelo menos faço um exercício”.
O mesmo ocorre com Nilda Silveira, 42. A empregada doméstica costuma usar um guarda-chuva para se proteger enquanto anda até em casa.
De acordo com o DFTrans, duas das nove linhas circulam pela Vargem Bonita. “A 0.119 (Núcleo Bandeirante/Vargem Bonita é circular e possui oito viagens diárias. Já a 0.132 (Laranjeiras/Rodoviária do Plano Piloto) faz somente duas viagens: Ida, às 5h55, e volta, às 7h”, explicou por meio de assessoria de imprensa. Ambas, esclareceu, são feitas por permissionários, “já que a região é considerada área rural”.
Alternativa
Durante pouco mais de três horas percorrendo o local, a reportagem só encontrou um ônibus, clandestino, passando pela região. Quem precisava sair ou chegar, tinha de pegar o transporte feito por veículos particulares pelo menos até uma passarela às margens da Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia), por onde passam até as linhas do Expresso DF.
“Não tem ônibus aqui. A gente precisa apelar para quem tem carro. Pegar carona, ir de pirata”, revelou a empregada doméstica Bete da Silva, de 50 anos, instantes antes de avistar um carro fazendo o trajeto a R$ 2. “Tenho que ir com ele, senão vou mofar aqui na parada”, justificou antes de entrar no veículo.