Ao utilizar um transporte pirata, o passageiro se expõe a um grande risco. O alerta é da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que, em fiscalização nas imediações da Rodoviária Interestadual, autuou dois motoristas. Um deles tinha um mandado de prisão em aberto por homicídio. Ambos foram encaminhados para a 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul).
A operação ocorreu em conjunto com as polícias Rodoviária Federal, Militar e Civil, além dos departamentos de Trânsito (Detran-DF) e de Estradas de Rodagem (DER).
Para Rafael Moya, coordenador de fiscalização da ANTT, a operação é essencial para coibir crimes associados ao transporte pirata e agir na origem do problema: “É uma situação conflituosa, porque eles entram nas rodoviárias e atraem os usuários a embarcarem fora, praticam preços menores e oferecem uma suposta comodidade ao prometerem deixar mais próximo de casa”.
Condição precária
Para aqueles que se arriscam nesse tipo de serviço, as preocupações não param por aí. Muitas vezes, o motorista não tem documentação e é despreparado para fazer viagens longas. As condições dos veículos também não são das melhores, pois a maioria anda com pneus carecas e passa longe das revisões periódicas obrigatórias.
Rafael Moya ressalta o perigo que correm aqueles que se submetem ao transporte clandestino. De acordo com o representante da ANTT, golpes como o “Boa noite, Cinderela” também têm sido aplicados. “Eles oferecem ao passageiro uma bebida contendo substâncias que induzem ao sono e levam todos os pertences. Apenas ao acordar, o passageiro percebe o furto”, alerta.
E completa: “Muitos desses motoristas possuem passagem pela polícia. Em um dos casos, descobrimos se tratar de um assassino. Ele matou um homem a pauladas em Goiás e, quando foi detido na blitz, ainda estava com a camisa manchada de sangue”.
Segundo Moya, há outros crimes vinculados, como o envolvimento em tráfico, estupros e contrabandos. “Pedimos à população que não utilize esses transportes. Apesar de toda a pressa do cotidiano, a segurança deve prevalecer”, diz.
Nas ruas, as opiniões se dividem quando o assunto é transporte pirata. O aposentado Paulo Roberto Cirilo, 71 anos, afirma não ser usuário desse tipo de serviço, mas avalia: “Se existe oferta, é porque tem procura”. Para ele, isso acontece porque as empresas não atendem a necessidade dos passageiros. “Os ônibus costumam demorar muito. Para algumas cidades no interior, não tem nem ônibus”, afirma.