Ana Paula Andreolla, com agências
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A primeira parte da obra no viaduto da Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB), sentido Taguatinga, foi liberada, mas quem passa pelo local todos os dias ainda olha com desconfiança para a obra que, ao final, deve custar R$ 22,8 milhões aos cofres públicos.
Motoristas dizem que, mesmo com a liberação do trecho, não sentiram redução nos constantes engarrafamentos registrados no local. Eles ainda questionam o propósito da obra. “Não mudou nada. Fico me perguntando qual o motivo dessa obra. Pelo que vejo, o trânsito não vai ficar diferente nem quando a reforma toda for concluída”, diz o corretor Mendes Marquez, 44 anos.
O motorista Francisco Pereira, 40 anos, também se faz a mesma pergunta. Ele precisa passar por ali todos os dias em horário de pico para ir e voltar do trabalho. Com a experiência, ele diz que o trânsito ficou ainda pior. “A sinalização não é boa, parece que o trânsito ficou ainda mais lento. Não vejo vantagem alguma para os motoristas”, alega.
Retorno
Além de liberar o trecho em que foi feito um desvio provisório para a construção de um viaduto, um outro diferencial agora é de uma faixa extra para quem precisa fazer o retorno logo após o viaduto, que dá acesso ao Núcleo Bandeirante. De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do DF, responsável pela EPNB, a faixa extra foi instalada por uma questão de segurança.
A medida foi aprovada pelos motoristas. “Não acho que o trânsito vai mudar muito com a obra, mas ficou mais rápido e fácil fazer o retorno”, opina o comerciante Luziano Martins, 37 anos.
Diariamente, cerca de 150 mil pessoas trafegam pela EPNB e, em geral, são moradores do Núcleo Bandeirante, Park Way, Riacho Fundo, Taguatinga, Samambaia e Recanto das Emas. Também passam pelo local os que optam pela saída sul de Brasília (BR-060) na hora de deixar o DF.
A reportagem do Jornal de Brasília procurou o DER para esclarecer melhor os propósitos da obra para os motoristas insatisfeitos, mas, até o fechamento dessa reportagem, não houve retorno das ligações ou e-mails enviados, por parte do órgão.
Falta sinalização
Não são apenas os motoristas que reclamam da obra na Estrada Parque Núcleo Bandeirante (EPNB). Basta ficar ali apenas alguns minutos para notar que buzinas e freadas bruscas são comuns logo na saída do novo trecho que foi liberado, por causa dos pedestres que, sem faixas ou passarelas por perto, precisam se aventurar na estrada, que fica muito movimentada durante todo o dia.
O operador de escavadeira José Ribamar, 35 anos, precisa atravessar a EPNB todos os dias naquele trecho, em horário de pico, para se deslocar da parada de ônibus ao local de trabalho. Ele diz que já se acostumou com as buzinas e as freadas, mas que elas ficaram mais intensas após a liberação do trecho. “Antes, como os motoristas tinham que fazer o desvio, reduziam a velocidade e a gente conseguia atravessar. De vez em quando a gente leva um susto, mas eu já me acostumei. Muita gente atravessa essas ruas, deveria ter pelo menos uma faixa de pedestre”, afirma