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Brasília

Tragédia em Santa Maria deixa sofrimento também para o Distrito Federal

Arquivo Geral

31/01/2013 10h15

Isa Stacciarini

isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 

 

 

 

O trágico incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (Rio Grande do Sul), que causou a morte de 235 pessoas, também deixou sofrimento e saudade em Brasília. Entre os amigos da capital que acolheu Bárbara Moraes Nunes, 24 anos, o sentimento é de dor e lembrança da gaúcha que teve o coração tocado pelo ar brasiliense.

 

A fisioterapeuta saiu de Santo Antônio das Missões, cidade do Sul, a aproximadamente 200 quilômetros de Santa Maria, para vir morar no Guará por quase dois anos. A volta definitiva para a cidade natal, que coincidiu após o término do namoro, foi no dia 18 de janeiro. 

 

Oito dias depois, Bárbara viajou para Santa Maria, onde morava uma das primas e uma amiga. Ela queria aproveitar o fim de semana, e não voltou mais para casa. Com o desejo de aproveitar a noite de sábado, as três jovens foram juntas ao show na boate Kiss. Horas antes do incêndio, uma foto com a prima dentro da casa noturna foi publicada por Bárbara na rede social. O sorriso e a alegria anunciavam a noite aguardada pelas moças que tiveram planos e sonhos interrompidos. Os corpos foram reconhecidos pelos familiares logo no domingo à tarde. 

 

Luto e tristeza

Na academia em Águas Claras onde a gaúcha trabalhava como professora de pilates, o clima é de luto. Logo na entrada do estabelecimento, uma cartolina preta colada à porta anuncia a tristeza que toma conta do local. Na recepção, duas flores compõem uma homenagem a Bárbara com uma mensagem escrita por uma das alunas e uma foto da funcionária. 

 

A consultora da academia, Tatiane Pietschmann, 25 anos, revelou que a amiga se mudou para Brasília após o namorado do Rio Grande do Sul ter sido aprovado em um concurso público na capital.

 

“Eles moravam juntos e a Bárbara decidiu voltar para o Sul depois de o namoro de cinco anos chegar ao fim. O casal tinha planos de casar. Sem ele por perto, ela já não tinha mais nenhum parente ou familiar. Mesmo separados, às vésperas da viagem, o namorado enviou mensagens pedindo para ela não ir”, lembrou a amiga.

 

Filha única, Bárbara era o brilho da casa dos pais, em Santo Antônio das Missões.

 

Despedida das amigas

Amante da região do Guará, onde morava, e de Águas Claras, onde trabalhava, a gaúcha de cabelos claros e olhos escuros tinha um sincero sentimento pela capital. “Ela dizia que a cidade oferecia possibilidade de crescimento profissional. Pensava até em prestar processo seletivo para alguma pós-graduação ”, destacou Tatiane.

 

A despedida com as amigas de Brasília foi na quarta-feira, dia 16 de janeiro, último dia da gaúcha na academia.  Para colegas de trabalho, a perda da companheira  ainda não foi digerida. Na sala de pilates, onde Bárbara ministrava as aulas, o sentimento é de profunda tristeza. 

 

Na casa da família, no Sul, a dor é intensa. Tia de Bárbara, a professora Roseli Moraes Nunes, 51 anos, contou que as duas sobrinhas mortas no incêndio estavam felizes e foram encontradas com os corpos em perfeito estado. “Elas não estavam queimadas, e partiram felizes. A expressão era de tranquilidade. Bárbara viveu tudo como quis, passou pela vida sem nenhum sofrimento”. A tia informou que os pais da vítima ainda não conseguem entender tudo que aconteceu.

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