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Brasília

Tráfico exótico de drogas

Arquivo Geral

05/07/2009 0h00


Maria* foi detida no início do ano por tentar entrar no Complexo Penitenciário da Papuda com cocaína escondida na vagina. A intenção dela era entregar a droga ao filho viciado. Autuada por tráfico, visit this disse à polícia que cometeu o crime porque não suportava assistir às crises de abstinência do rapaz.
Já a estratégia usada pela jovem Luciana* foi ingerir pequenas porções de maconha acondicionadas em frascos para entregá-las ao marido, doctor que cumpre pena por homicídio na Penitenciária do Distrito Federal II (PDF II). A ideia dela era passar pela revista e, medications nas dependências da penitenciária, expelir a substância por vômito induzido. Não deu certo. As agentes que fizeram a revista em Luciana descobriram a farsa. Presa, a jovem disse que sabia dos riscos, mas era ameaçada pelo companheiro.
As duas histórias são recorrentes nos presídios do DF. O Jornal de Brasília teve acesso exclusivo ao relatório que traça o perfil das pessoas que tentam entrar com drogas no Complexo Penitenciário da Papuda, elaborado pela Subsecretaria os Sistema Penitenciário (Sesipe), órgão subordinado à Secretaria de Segurança Pública (SSP). O documento revela que, de janeiro a maio deste ano, 41 mulheres e quatro homens foram flagrados tentando ingressar com substâncias ilícitas nos ambientes prisionais.

Relatório
Nos primeiros cinco meses de 2009 ocorreram 43 dias de visitas. A média mostra que todas as quartas e quintas-feiras (dias de visitas), pelo menos uma pessoa é enquadrada por tráfico. O número variou pouco em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram computadas 46 ocorrências desta natureza. O relatório obtido pelo JBr mostra, ainda, que pessoas menos instruídas são as  mais flagradas com drogas escondidas em dias de visita.
Dos 45 autuados, nove não sabem ler nem escrever, 15 possuem apenas o Ensino Básico (1ª a 4ª séries), 16 pararam no Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) e apenas cinco completaram ou estão cursando o Ensino Médio.  A relação precoce com o submundo do crime é outro fator que preocupa as autoridades da área de segurança.
Das 41 mulheres detidas por tentar ingressar nos presídios do DF com entorpecentes, a metade tem menos de 25 anos. Elas já viveram o drama de assistir os homens que amam serem algemados e, mesmo à distância, se esforçam para continuar o relacionamento. O Complexo Penitenciário da Papuda, que engloba quatro presídios, localizado em São Sebastião, recebe em média, a cada dia de visita, 2 mil pessoas.


Datas influenciam
Nos feriados e datas especiais, como Dia das Mães e Dia dos Namorados, o desejo de estar próximo do companheiro cresce e o número de visitantes sobe, podendo chegar até a 2,5 mil. Mas quem se arrisca a entrar com drogas dentro das penitenciárias brasilienses sabe que vai enfrentar uma rigorosa revista.
Os agentes são treinados para identificar quando uma pessoa esconde algum produto. Tanto no Complexo da Papuda, quanto no Presídio Feminino, no Gama, familiares e amigos são revistados em boxes individuais. A medida é adotada para evitar constrangimentos.


As limitações impostas aos visitantes não param por aí. No pátio onde eles se concentram antes de entrar para a revista, há dezenas de avisos. Um deles restringe o uso de roupas e calçados nas cores pretas, amarelas, alaranjadas, azul-marinho e verde-escuro. O diretor do Sesipe, delegado Adiel Teófilo, explica que a determinação facilita a distinção entre funcionários e detentos.


Visualização
“Existe um grande número de funcionários trabalhando dentro do Sistema Penitenciário e é importante que a visualização seja facilitada. Os policiais usam preto, logo, os detentos não podem vestir roupas com cores semelhantes. Por isso, a recomendação é que usem roupas brancas”, explica. Acessórios como bonés, brincos, perucas, grampos, óculos escuros e pingentes também são barrados.


Equipamentos eletrônicos e mulheres com roupas transparentes ou blusas decotadas também têm o acesso negado. Cobertores, remédios, aparelhos de TV e roupas só entram com autorização. O delegado afirma que, em breve, os presidiários poderão usar uniformes, como nos presídios norte-americanos. Adiel Teófilo afirma que as visitas tentam ludibriar os agentes com criatividade na hora de camuflar as drogas.
* Nomes fictícios

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